Livro relata histórico das milícias e dos esquadrões da morte na era bolsonarista

Para Bruno Paes Manso, autor da obra, o verdadeiro desafio de gestão pública e da democracia nessa questão é libertar as comunidades desse embate entre milícias e facções, mostrando que existe uma terceira via 

 22/10/2020 - Publicado há 2 anos

Recentemente foi lançado o livro A República das Milícias: Dos Esquadrões da Morte à Era Bolsonarista, de Bruno Paes Manso. Manso, jornalista e pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP, comenta que a ideia desse trabalho surgiu logo após o lançamento do livro A Guerra: A Ascensão do PCC e o Mundo do Crime no Brasil.

Na véspera das eleições de 2018 e com o crescimento da onda bolsonarista, Manso detalha que o tema envolvendo milícias era importante para o debate pré-eleitoral, principalmente pelo discurso do até então candidato presidencial Jair Bolsonaro. “Achei que era minha obrigação cobrir esse tema e escrever a respeito, já que era o tema, talvez, mais relevante do momento, e contar um pouco a história da Nova República e falar um pouco dessa era Bolsonaro”, explica o jornalista. De acordo com ele, foi necessário um resgate histórico para entender como é que a gente chegou até aqui.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, Manso relata que a questão das milícias já existe há um bom tempo nas grandes cidades brasileiras, especialmente a partir dos anos 50 e 60, momento histórico em que as cidades estavam crescendo muito rapidamente, sendo superpovoadas, e, com isso, o medo da desordem era intenso. Usando a violência como instrumento para estabelecer uma ordem, em um resgate de autoridade, surgem no Rio de Janeiro os primeiros esquadrões da morte, que, em determinados casos, eram também ligados à capital federal (naquele momento, o Rio de Janeiro ainda era capital do Brasil). Durante a ditadura militar, esse movimento se intensifica, no intuito de combater as guerrilhas existentes na época, mas, com a abertura democrática, há uma perda de espaço desses grupos e muitos deles migram para grupos de extermínio ou serviços de segurança privada.

Em uma espécie de antítese ao tráfico de drogas, esses grupos se organizam e encontram o modelo das milícias que conhecemos atualmente por volta dos anos 2000: os defensores das comunidades. “Eles acabam ganhando muito dinheiro com isso, através de extorsão, venda de imóveis irregulares em áreas de proteção ambiental e passam a ser a principal facção do Rio de Janeiro e uma das principais ameaças às instituições democráticas brasileiras pela ligação que eles têm com os políticos, com os policiais, com os juízes e promotores”, conclui Manso, ao observar que o verdadeiro desafio de gestão pública e democracia nessa questão é libertar as comunidades desse embate entre milícias e facções, mostrando que existe uma terceira via. 

O livro está disponível em sites como a Amazon, Lojas Americanas, entre outros. Saiba mais ouvindo a entrevista completa no player acima.


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