É preciso transformar assuntos que afligem jovens em tema de aula

USP recebe professores da rede para abordar questões que afligem os estudantes, como ética, bullying e drogas

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Foto: Cecília Bastos/USP Imagem

Em Nota oficial, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informa que os procedimentos de segurança em todas as 5,3 mil escolas serão revisados e está em estudo um projeto para reforço à segurança nas escolas mais vulneráveis. As aulas, em todas escolas públicas estaduais e municipais de Suzano, estão suspensas até esta sexta (15), devido ao massacre que aconteceu na última quarta-feira(13). Hoje, professores da rede discutirão as propostas pedagógicas para acolhimento, na próxima semana, dos alunos e comunidade escolar. A Secretaria, em conjunto com especialistas do Instituto de Psicologia da USP, Unicamp e Prefeitura Municipal de Suzano, irá dar suporte pedagógico e psicológico para a estruturação de todas as atividades. O Jornal da USP no Ar conversou com o professor Marcos Neira, diretor da Faculdade de Educação (FE) da USP sobre o assunto.

A pretensão é ir além de reforço policial, sendo um trabalho que envolverá novas discussões pedagógicas e educacionais de professores e dentro das famílias. Neira acredita que “a pior coisa que pode acontecer num momento como esse é o fechamento da escola numa fortaleza, a fabricação de um castelo”,  e a ideia de envolvimento de todas as partes e o diálogo com a comunidade, “principalmente recebendo as famílias na escola e com o reforço da necessidade de uma união maior”, são medidas favoráveis para que a escola retome suas atividades após a tragédia.

“Esse é um caso que extrapola, e muito, a força da escola ou qualquer ação que ela poderia ter previsto.” Para o professor, o papel da escola está em acompanhar os estudantes, “precisamos contatar aqueles que se afastam e atraí-los novamente, conversar com eles”. Como pré-requisito para isso, estão as melhores condições de trabalho dos professores, que poderiam ser conquistadas com uma equipe maior. “Se o professor precisa pular de escola em escola para cumprir sua carga horária e ele não tem, dentro da sua jornada de trabalho, condição de conversar com o aluno ou trocar impressões com outros professores sobre o desempenho ou comportamento dos alunos, fica muito difícil.”

“A escola não é apenas espaço para transmissão de conhecimento. Ela precisa ser um lugar de valorização ao respeito de diferenças”, afirma Neira. De acordo com o especialista, a Universidade de São Paulo tem feito muitos trabalhos nesse sentido, pois recebe professores da rede para abordar questões que afligem os estudantes, como ética, bullying e drogas. “Precisamos transformar esses assuntos em temas de trabalho, é um trabalho pedagógico. Muitas vezes é no professor que a criança se sente segura para compartilhar seus dramas e desafios.” Ele reforça a importância de que professores tenham tempo e condições de trabalho para se dedicarem a isso, “trata-se de fortalecer a escola para tratar desses assuntos de forma sensível”.

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