Desconhecimento e lendas urbanas ainda cercam a deep web

Perito criminal explica que atividades ilegais estão presentes nela, mas anonimato e descentralização também podem ajudar em questões de segurança

Quem se espanta com a quantidade de informação disponível na internet nem imagina que existe uma região nesse mundo digital pouco acessível, muito maior, mas que pode esconder uma série de perigos. Trata-se da deep web, um ambiente digital não indexado, ou seja, que buscadores tradicionais como o Google não conseguem alcançar. Para esclarecer os riscos e desmistificar algumas lendas associadas a ela, o USP Analisa desta semana conversa com o perito criminal da Polícia Federal, Gustavo Pinto Villar.

Villar explica que a deep web tem a ver também com conteúdos bloqueados por senhas e outros mecanismos de proteção. “Quando você faz uma busca na surface web, que é a parte visível da internet, você consegue localizar qualquer banco e ali você interage por uma interface bem definida. Mas, para que você entre dentro de uma conta bancária e tenha acesso aos saldos, aos valores e proceda transferências, você está bloqueado por um mecanismo de senha. Muitos mecanismos da deep web são protegidos por mecanismos de igual teor. Nós temos também o processo de dinamicidade, onde o conteúdo muda, roda tão frequentemente, que não dá tempo de os buscadores indexarem. Ele até indexa, mas depois do processo de indexação o conteúdo já mudou, então ele nunca vai aparecer no mecanismo de busca”, diz.

O perito lembra que é importante não confundir a deep web com a dark web, uma pequena região dentro dela onde estão localizados conteúdos e atividades ilegais, como tráfico de drogas, armas e até órgãos humanos. Para ele, apesar disso, a deep web pode, sim, ter um lado positivo. “A gente enxerga a deep web com uma certa estranheza, mas, em alguns países, é a única oportunidade que as pessoas têm de romper os firewalls, de romper as barreiras lógicas de filtro de informação que os governos impõem, justamente por garantir essa questão do anonimato e da descentralização, que são os dois principais pilares que a regem.”

O USP Analisa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto.

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