Descaso com desmatamento pode causar retirada de recursos do agronegócio

Pedro Luiz Côrtes analisa atuação governamental em relação às últimas pressões internacionais e indica riscos para exportações brasileiras

Nesta semana, o Ministério Público Federal ajuizou ação civil pública com pedido de afastamento cautelar do cargo do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, por ato de improbidade administrativa. Além disso, o vice-presidente Hamilton Mourão, responsável pelo Conselho Nacional da Amazônia Legal, foi pressionado por empresários, o que aumenta o receio de que recursos sejam retirados do agronegócio por grupos de investimentos.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, Pedro Luiz Côrtes, professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, faz uma avaliação do momento atual. Os índices de desmatamento amazônico bateram recordes nos últimos cinco anos, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e, portanto, não surpreende que o descaso com as questões ambientais afetem as exportações de produtos agrícolas, segundo o especialista.

Côrtes também já havia alertado sobre a possibilidade do pedido de afastamento de Salles, uma vez que “a atuação do ministro vem desagradando vários parlamentares, inclusive dentro do núcleo do governo, além do agronegócio”. Caso o presidente Bolsonaro decida tirá-lo do cargo, o professor acredita que o processo será feito em duas partes: “Primeiro, haveria a destituição do ministro como forma de abrandar as críticas, e depois de muito conflito entre ala ideológica e parlamentar, poderia haver uma indicação que não necessariamente atenda aos critérios técnicos, como já foi visto nas últimas substituições”.

De acordo com o especialista, neste momento, o governo tem dado munição para que forças internacionais, com políticas protecionistas, possam agir. “O Brasil é competitivo nas exportações agrícolas, mas o governo tem conspirado contra o agronegócio com a falta de ação no combate ao desmatamento na Amazônia. Mesmo que agora se pretenda mensurar os avanços desses problemas ambientais no segundo semestre, infelizmente as autoridades chegam atrasadas mais uma vez”, explica.

Saiba mais ouvindo a entrevista na íntegra.


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