Batalha da Maria Antonia é relembrada em ciclo de eventos

Através de exposições, peças de teatro, relançamentos de livros e debates, USP recorda os 50 anos do embate

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Exposição Re Vou Ver, no Centro Universitário Maria Antonia, sobre a Batalha de 1968 entre estudantes da USP e do Mackenzie – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

 

O portal Jornal da USP deu início ao ciclo de reflexões USP, Ecos de 1968 – 50 Anos Depois, realização da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU), do Centro Universitário Maria Antonia (Ceuma), do Jornal da USP e da Rádio USP. Exposições, peças de teatro, leituras dramáticas, relançamento de livros e mesas-redondas serão realizados no centro entre os dias 2 e 5 de outubro, relembrando a história da então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) e dos dramáticos embates da Batalha da Maria Antonia, que teve como consequência a morte de um estudante da USP, seus reais significados e suas dolorosas consequências. Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, a professora Margarida Maria Krohling Kunsch, Pró-Reitora Adjunta de Cultura e Extensão Universitária e coordenadora do evento, e o jornalista Luiz Roberto Serrano, Superintendente de Comunicação Social da USP, falaram sobre a Batalha da Maria Antonia e suas consequências.

Luiz Roberto Serrano fala que na USP, em 1968, existiam várias discussões, entre elas, a dos excedentes: alunos que possuíam nota para entrar nos cursos da Universidade, mas que se deparavam com a falta de vagas. Também era alvo de discussão a reforma universitária, por ter todo um clima conservador de ensino que dominava. Ao mesmo tempo que isso acontecia na USP, no País aconteciam agitações, atentados, resistência à censura, greves, o congresso da União Nacional dos Estudantes em Ibiúna, entre outros. Nesse contexto, surge a Batalha da Maria Antonia, ponto simbólico de tudo o que aconteceu. Ele ressalta que, boa parte do que ocorreu na USP em questão de cassações de funcionários, deveu-se a uma movimentação de professores conservadores que denunciavam os colegas como comunistas e esquerdistas, mas muitas vezes isso não condizia com a realidade. Em alguns casos, eram apenas professores novos com novas ideias sobre as matérias que eram ensinadas e que incomodavam os poderes estabelecidos nas cátedras.

Pró-reitora adjunta, Margarida Maria Krohling Kunsch – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Ao fundo de tudo isso, ressalta o Superintendente de Comunicação Social, havia a Guerra Fria, que dividiu o mundo entre esquerda e direita e chegou ao Brasil, impulsionando diversos acontecimentos. Na USP, ao final de 1968, aconteceu a invasão no Crusp (Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo), expulsando os moradores. O AI-5, decretado naquele ano, permitiu a expulsão e cassação de vários professores e alunos.

Margarida Maria Krohling Kunsch revela que a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP vem, desde abril, por meio dos seus diretores do Teatro USP e através do Centro Universitário Maria Antonia, pensando em eventos que pudessem reproduzir e trazer maneiras de rememorar o que aconteceu, com debates e reflexões. Segundo ela, a Rua Maria Antonia é muito simbólica, porque ali foi o acontecimento “que culminou” numa série de decisões. A Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras era centro de debates de excelência. O local era espaço de grande reflexão e estudos, que, na época, chamavam muita atenção. “O que aconteceu na Maria Antonia foi um fato que abortou naquela faculdade o conjunto de reflexões que vinham sendo travadas”, comenta. Ela afirma que “a preocupação da Universidade e da Reitoria é, através das artes, passar essa mensagem, reproduzindo toda a nossa preocupação de que a data seja lembrada no momento que estamos passando inclusive no País”.

A Batalha da Maria Antonia, em 1968, entre estudantes da USP e do Mackenzie – Foto: Hiroto Yoshioka/Acervo Centro Universitário Maria Antonia – PRCEU USP
Serrano – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Luiz Roberto Serrano ressalta que não foi uma batalha entre estudantes, mas um ponto onde se deu o choque entre o que acontecia no País. Segundo ele, serão publicados artigos que contam com interpretações de que não foi necessariamente uma briga entre mackenzistas x uspianos. Havia uma forte infiltração dos representantes de caça aos comunistas que lideraram o ataque. E a batalha foi uma reação do regime, através dos seus representantes da sociedade civil. Foi um ataque às ideias que se discutiam e debatiam para o futuro do País na Rua Maria Antonia. A batalha foi ideológica, em que o regime movimentou os seus elementos e tentou massacrar um tipo de pensamento em desenvolvimento, que foi momentaneamente afetado, mas não desapareceu, reagiu e continua na história do País.

A professora Margarida explica a programação. A abertura, no dia 2, contará com a presença do Coral da USP. O evento será permeado de exibição de filmes e documentários, além do relançamento de livros. Você pode conferir a programação completa aqui.

Além de cobrir os eventos, o portal publicará, até o dia 21 de dezembro, vídeos, entrevistas e artigos com depoimentos de professores e alunos que viveram as mobilizações, vicissitudes e arbitrariedades de 1968 na USP. Os ecos dos principais eventos políticos, culturais e sociais que tiveram lugar no Brasil e no mundo em 1968 também serão objeto de textos no jornal. Rememorar, analisar e compreender são fundamentais para que anos tenebrosos como 1968 e todo o período de 1964 a 1985 nunca mais se repitam no Brasil.

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