Anticorpos monoclonais surgem como estratégia importante de combate à covid-19

Álvaro Furtado Costa explica o funcionamento de coquetel com uso aprovado pela Anvisa e diz que já se construiu algum conhecimento científico sobre a covid-19, mas há muitos estudos pela frente

 05/05/2021 - Publicado há 9 meses  Atualizado: 07/05/2021 as 10:09

 

Coquetel aprovado pela Anvisa no tratamento da covid-19 combina anticorpos – Arte de Lívia Magalhães com imagens de Pixabay e Flaticon

A Anvisa aprovou recentemente um coquetel para tratamento da covid-19 que consiste na combinação dos anticorpos monoclonais casirivimabe e imdevimabe. A agência ainda analisa o uso emergencial de coquetel dos medicamentos banlanivimabe e etesevimabe. O infectologista Álvaro Furtado Costa, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e médico do Centro de Referência e Treinamento em DST e Aids, explica em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição o funcionamento e impacto desses coquetéis para o tratamento da covid-19.

Costa explica que, dentre os estudos que buscam encontrar medicamentos capazes de tratar a covid-19, surgiu a possibilidade dos monoclonais, que já são utilizados para várias doenças infecciosas e não infecciosas. Estes consistem em uma estratégia para bloquear o vírus em uma etapa importante de seu ciclo de vida e podem ser produzidos através do plasma de pessoas que contraíram a doença e se curaram, ou até por meio de modelos feitos em computador.

Segundo o especialista, os coquetéis são produzidos a partir de uma combinação de anticorpos monoclonais, que “grudam” no vírus, como peças de um quebra-cabeça, impedindo que ele entre nas células do organismo e se replique de maneira eficiente. Os dois coquetéis – dos medicamentos casirivimabe e imdevimabe e dos medicamentos banlanivimabe e etesevimabe – agem da mesma forma: diminuem a replicação do vírus e a carga viral no paciente, possibilitando um desfecho mais brando da doença.

Costa explica que os coquetéis precisam ser utilizados na fase inicial da doença e da circulação do vírus no organismo e serão aplicados somente de modo controlado, em hospitais, a partir de aplicação intravenosa.

Ele indica que ainda é necessário expandir o conhecimento científico sobre a doença e seus possíveis tratamentos, assim como sobre os coquetéis: “Os monoclonais surgem como uma estratégia importante para o combate à covid-19, mas ainda precisamos de estudos maiores, avaliar custo e efetividade”. O doutor também fala sobre o Remdesivir, primeiro medicamento para covid-19 com uso indicado em bula: “O uso apropriado pode levar a uma diminuição do tempo de internação e de desfechos relacionados à mortalidade. Comemoramos esta outra linha de tratamento da doença, mas precisamos pensar em seu custo-benefício em relação ao sistema público de saúde, por exemplo”.


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