Workshop na USP reuniu estudiosos dos grãos de pólen

Estudos palinológicos podem ter diversos usos, entre eles, a capacidade de preservar a população de abelhas, que corre risco de extinção

Por - Editorias: Universidade
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Principal alimento das abelhas e essencial para a reprodução das plantas, o pólen também pode servir como indicador de condições da natureza, revelando aspectos como a ocorrência de espécies de plantas ou a interação entre as abelhas e o meio ambiente. Os estudos e a catalogação dos grãos de pólen, chamados estudos palinológicos, podem ter diversos usos, entre eles, a capacidade de preservar a população de abelhas, que corre risco de extinção. Para auxiliar esses estudos, ferramentas de computação que permitem sua catalogação são desenvolvidas por uma rede de pesquisadores, palinólogos e instituições que possuem catálogos polínicos.

No mês de abril, o Núcleo de Pesquisa em Biodiversidade e Computação (BioComp), do Departamento de Engenharia da Computação e Sistemas Digitais da Poli (PCS) da USP, recebeu a segunda edição do Workshop sobre ferramentas computacionais para estudos palinológicos.

O BioComp é responsável por criar as ferramentas de digitalização para o projeto, atuando na área da computação. O intuito é padronizar os meios pelos quais os vários catálogos e tipos de grãos de pólen são digitalizados para, assim, disponibilizar os dados on-line.

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Participantes do workshop | Foto: Divulgação/RCPOL

O evento, que aconteceu entre os dias 27 e 29, foi dividido em duas partes: um dia de palestras abertas ao público e outros dois de discussão entre os membros da Rede de Catálogos Polínicos Online (RCPOL).

O professor do PCS Antonio Mauro Saraiva, integrante do BioComp e vice-coordenador da RCPOL, explicou que os catálogos constituem coleções de grãos de pólen, dispostos em lâminas para garantir a sua preservação.

Durante o encontro, discutiu-se a forma de funcionamento da rede, a organização da sua gestão e quais seriam as ferramentas de digitalização mais adequadas a serem aplicadas.

A importância da análise do pólen vai ainda além. Nos estudos paleontológicos, a catalogação permite a reunião de informações para traçar o perfil de plantas ancestrais, de outras eras geológicas. Ela pode também auxiliar em investigações criminais a partir da análise de amostras de pólen nas roupas das pessoas, identificando, assim, o local do crime. “Há até estudos do Santo Sudário usando grãos de pólen que eram da época de Cristo daquela região”, afirma o vice-coordenador.

A iniciativa da RCPOL também é benéfica para o estudo da interação entre as abelhas e o meio ambiente. Em risco de extinção, monitorar quais plantas servem de alimento para esses insetos é fundamental. Um meio para se obter essas informações é analisar os grãos de pólen presentes no mel, no trato digestivo das abelhas, nos potes e células de pólen dos favos de mel e no próprio corpo dos insetos.

A coordenadora da rede é a pesquisadora do Laboratório de Abelhas do Instituto de Biociências (IB) da USP, Cláudia Inês da Silva. O primeiro encontro da iniciativa ocorreu em 2013, quando foi lançada a ideia para o projeto.

Desde então, a RCPOL pôde se expandir internacionalmente: o evento de abril contou com a presença de pesquisadores da Europa e da América Latina, incluindo a presidente da Asociación Latinoamericana de Paleobotánica y Palinología (ALPP). Também recebeu apoio do projeto Bee Care da Bayer.

“Houve um grande avanço nos protocolos usados para a digitalização e coleta dos dados. Eu diria que o 2º Workshop foi um marco para consolidar a rede; quem estava lá vestiu a camisa RCPOL”, diz Saraiva.

Com informações de Helena Mega e Matheus Lopes / Jornalismo Júnior

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