Série de conteúdos produzidos pelo projeto Ciclo22, que remete à reflexão da USP sobre quatro grandes marcos (1822, 1922, 2022 e 2122): o bicentenário da Independência do Brasil, o centenário da Semana de Arte Moderna, o tempo presente e os desafios para os próximos 100 anos

Arte sobre fotos / Revista USP e Wikimedia Commons

Publicação da USP debate cultura e sociedade no Brasil independente

Edição atual traz reflexões sobre o marco histórico e os desdobramentos dele no passado, presente e futuro do País

 Publicado: 05/08/2022

Crisley Santana

Em 7 de setembro de 2022 o Brasil completa seu bicentenário de Independência. Nesses dois séculos de história, movimentos políticos e culturais moldaram a sociedade e a cultura do País. Para debater os aspectos de tal trajetória, a USP lançou o dossiê Bicentenário da Independência. 

O dossiê contempla o último número da Revista USP e é o segundo de uma tetralogia que está sendo produzida pela Superintendência de Comunicação Social da Universidade, conforme comentou Jurandir Renovato, editor-chefe. 

“A ideia era aproveitar o bicentenário da Independência não apenas para comemorar uma data e um episódio longínquos na história do País, mas principalmente para refletir, sob vários aspectos, de que modo chegamos até aqui, e assim percorrer os caminhos (e descaminhos) da nossa emancipação política, suas motivações e circunstâncias históricas, bem como suas posteriores implicações, isso tudo a partir de quatro eixos temáticos”, disse Renovato, explicitando parte do editorial da publicação, escrito por ele.

A edição traz reflexões que vão do movimento modernista em sua forma e expressão culturais, aos impactos do contexto na maneira com que intelectuais pensavam o Brasil, como explora a vice-reitora da USP, professora e socióloga Maria Arminda do Nascimento Arruda, no texto de abertura da revista. 

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Jurandir Renovato, editor-chefe da Revista USP - Foto: USP Imagens

Pensamentos de intelectuais também estão no texto escrito por Mário Augusto Medeiros da Silva, sociólogo e professor do Departamento de Sociologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Em Um pensamento social negro brasileiro, após os anos 1930, Mário analisa a produção de importantes intelectuais negros brasileiros, como Abdias do Nascimento, Beatriz Nascimento e Lélia Gonzalez. A produção dos autores atualmente “tem servido de inspiração e referencial teórico para debates sobre o genocídio da população negra e a violência policial; direitos de terras e população quilombola; ou ainda, para debater o feminismo negro e a luta de mulheres negras, nas bases do racismo e sexismo que nos formam como sociedade”, disse o professor em entrevista ao Ciclo22.

Trechos do texto sobre o pensamento social negro brasileiro, publicado na Revista USP, dossiê Independência do Brasil - Arte sobre foto: Revista USP

Seu texto, assim como a publicação sugere, além do tema social, explora os aspectos culturais relacionados à Independência. Por isso, o professor destacou a relação entre os intelectuais negros com a arte.

“As artes e a comunicação escrita têm um papel fundamental na experiência de luta por direitos da população negra brasileira. A Imprensa Negra, a Literatura Negra, o Teatro Negro, as artes plásticas (de pintores negros ainda do final do século 19), a música e a dança negras compõem um panorama de afirmação de direitos civis, sociais e políticos”, ressaltou.

A importância de debater a produção, afirmou o professor, está em preservar uma memória social que o racismo tenta apagar. “Parte da luta antirracista e da luta pela igualdade de direitos de mulheres, negros, povos originários, pessoas deficientes, pobres, homossexuais etc. têm a ver com a luta pela memória social. Recuperar referências do passado, inseri-las numa narrativa pública e nacional, questionar as bases do poder dominante e reescrever possibilidades para o tempo presente, visando a um futuro coletivo melhor, mais diverso e igualitário”, afirmou.

Além deste número e do primeiro, que analisou tópicos econômicos do Bicentenário, a edição Bicentenário da Independência trará os temas Política e Ciência e Tecnologia. “Cada um desses dossiês teve a coordenação feita por um intelectual/professor de notório reconhecimento. O número atual, por exemplo, foi coordenado pela vice-reitora da USP”, explicou Renovato.

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Mário Augusto Medeiros da Silva, sociólogo e professor no Departamento de Sociologia da Unicamp - Foto: Arquivo pessoal

A equipe editorial preparou lives sobre as publicações com bate-papo entre os autores. Clique nos players abaixo para conferir:

Sobre a Revista USP

A publicação foi criada em 1989, durante a gestão de José Goldemberg. “Aliás, foi ele quem teve a ideia de criar uma revista que levasse o nome da Universidade. E talvez resida aí justamente a sua relevância, pois a revista desse modo sempre pôde congregar em suas páginas o que de melhor é produzido pela USP (ou fora dela)”, explicou o editor-chefe da Revista. 

A revista concentra artigos sobre Ciências e Humanidades, de forma multidisciplinar. O foco não está em escritos científicos, mas em “ensaios de ideias”, explicou Renovato. Além do espaço para tais produções, a publicação tem seções de texto, arte e imagens.

As edições podem ser conferidas no site: www.revistas.usp.br

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