Série de conteúdos produzidos pelo projeto Ciclo22, que remete à reflexão da USP sobre quatro grandes marcos (1822, 1922, 2022 e 2122): o bicentenário da Independência do Brasil, o centenário da Semana de Arte Moderna, o tempo presente e os desafios para os próximos 100 anos

Obra de Rugendas de 1835, Aldeia de Tapuios, sobre as missões jesuíticas na América - Foto: Wikipedia

Como se forma a memória e o sentimento de pertencer? Grupo da USP investiga

O impacto de fatos históricos e culturais para a sociedade brasileira é estudado pelo Grupo de Pesquisa Tempo, Memória e Pertencimento do Instituto de Estudos Avançados da USP

 10/06/2022 - Publicado há 2 meses  Atualizado: 20/07/2022 as 19:07

Crisley Santana

Ao analisar documentos, monumentos e eventos históricos é possível compreender as origens de um país e do povo que nele habita. O uso de tais artefatos também pode esclarecer questões subjetivas sobre as sociedades, como mostram as pesquisas do grupo Tempo, Memória e Pertencimento, do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, em São Paulo. 

O objetivo do grupo é compreender de que maneira eventos históricos e seus desdobramentos impactam na formação da memória e do sentimento de pertencimento que os brasileiros podem apresentar sobre o Brasil.  

Um exemplo estudado pelo grupo são as missões jesuíticas, também chamadas de Reduções, nas quais padres buscavam catequizar os povos indígenas entre os séculos 16 e 18, quando o Brasil ainda era uma colônia de Portugal.

“Descobrimos um patrimônio monumental riquíssimo e belíssimo, sinalizador de algo muito importante. Ele envolvia um território que ligava o Brasil a outro fenômeno relacionado a outros países, porque esse patrimônio [sobre as missões jesuíticas] é compartilhado com Paraguai, Argentina, Uruguai e Bolívia”, disse Marina Massimi, professora sênior do IEA e coordenadora do grupo.

Segundo a professora, o tema apresenta uma “falha” histórica, pois muitos brasileiros o desconhecem. Um fenômeno que não se repete em países como o Paraguai, por exemplo, conforme relatou Raquel Martins de Assis, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que integra o grupo de pesquisa.

Marina Massimi e Raquel Martins de Assis, do Grupo Tempo, Memória e Pertencimento do IEA USP - Foto: Arquivo pessoal

“Eles [paraguaios] têm um orgulho e uma relação de memória e pertencimento com a história das missões jesuíticas nos territórios Guarani que a gente não tem aqui. Isso fala de toda uma ruptura que houve no processo de construção do Brasil como nação, que envolve a expulsão dos indígenas dessa história. Inclusive afeta também a maneira como a gente se sente ou não da América do Sul, já que somos um país que fala português num continente que fala espanhol”, afirmou.

Os achados do grupo resultaram em uma série de produções sobre o assunto, como dois cursos on-line que podem ser feitos pela plataforma Coursera. Eles abordam a perspectiva histórica das missões jesuíticas nos territórios Guarani e como se dava o cotidiano desse processo em aspectos relacionados ao trabalho e à educação, por exemplo. Os cursos oferecem certificado após a conclusão.

Para o professor Márcio Luiz Fernandes, do Programa de Pós-Graduação em Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e membro do grupo, a importância de estudar temas como esses está em entender o Brasil no território e contexto em que está inserido.

“Não está certo considerar o País como uma ilha no meio do continente. O nosso objetivo é contribuir para a formação da cidadania brasileira e para isso é preciso entender o Brasil dentro da América Latina. Isso é fundamental”, salientou.

Contribuição universitária

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Márcio Luiz Fernandes - Foto: Arquivo pessoal

O grupo foi formado após a professora Marina Massimi se aposentar do Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, pois ela tinha “o desejo de continuar, de alguma forma, a pesquisar e contribuir com a vida universitária”, conforme relatou ao projeto Ciclo22

As produções e eventos realizados podem ser acompanhados pelo site do IEA e canal do YouTube, onde são publicadas as lives, por exemplo. 

Além de Marina, Raquel e Márcio, o grupo tem como integrantes os professores e pesquisadores Anette Hoffmann; Angélica Brito; Carlos Alberto de Moura Ribeiro Zeron; Carlos Alberto Contieri SI; Celeste Henriques Marquês Ribeiro de Sousa; Eduardo Ekman Simões; Eliane Cristina Deckmann Fleck; Emanuele Colombo; José Eduardo Ferreira Santos; Luciano Migliaccio; Marcela Bertelli; Marilene Proença Rebello de Souza; Pina Marsico; Regina Helena de Freitas Campos; Renata Maria de Almeida Martins, e Rodolfo Luís Leite Batista. Colaboradores: Aparecida Angélica Zoqui Paulovic Sabadini e Dalton Sala.

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