Ciências dos Alimentos: profissão analisa da composição à chegada na mesa

Curso oferecido na USP, em Piracicaba, tem a possibilidade de dupla-diplomação com a Escola Francesa Oniris

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Curso de Ciências dos Alimentos da Escola tem visão integrada na área de atuação – Foto: Fábio Torrezan

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Ele é o único profissional que estuda integralmente o alimento sob todos os aspectos: a composição e a conservação da matéria-prima, a transformação na indústria, a comercialização no varejo e a chegada até a mesa do consumidor. Esse é o profissional formado em Ciências dos Alimentos.

Tatiana Maria Marchi Levada conheceu o curso oferecido na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, a partir das redes sociais e participou do programa Profissões da Esalq. “Neste dia, foi a primeira vez que pisei na Esalq, o que me fez ter mais certeza do que eu queria”, contou a aluna, hoje, no 5º ano do curso.

Ela pretende trabalhar na área de pesquisa e desenvolvimento de produtos, alinhado com marketing. “Faço estágio no Esalqfood. Acredito que essa área seja de extrema importância no cenário em que estamos vivendo, no qual a inovação passou de diferencial para método de sobrevivência nas empresas, sobretudo na área de alimentos. Dentre todos os estágios que já fiz, este com certeza foi a cereja do bolo, onde me encontrei e descobri qual área gostaria de trilhar.”

O curso de Ciências dos Alimentos da USP é o pioneiro no Brasil, criado em 2001, e integra diversas áreas em diferentes níveis de especificidade, como produção, transformação, análise, nutrição, marketing, segurança e planejamento alimentar, higiene e inocuidade dos alimentos. A proposta é formar um profissional com visão integradora entre alimento, o ser humano e o ambiente.

“No Brasil, há uma variedade de cursos que formam profissionais relacionados à área de alimentos, mas em nenhum deles têm como foco de estudo o alimento e toda a sua cadeia produtiva como o de Ciências dos Alimentos, que abrange conteúdos que vão desde as etapas de pós-colheita, pós-abate e os fatores de produção que os afetam, até o alimento na ponta final da cadeia – a mesa do consumidor”, disse a coordenadora e professora do curso, Wanessa Melchert Mattos.

Perfil profissional

O curso tende a formar um profissional com amplo conhecimento do alimento sob os aspectos nutricionais, bioquímicos, higiênico-sanitários, tecnológicos, identificar as demandas do consumidor, entre vários. Segundo a coordenadora, o perfil desejado do profissional baseia-se na capacidade de articular e mobilizar conhecimentos, habilidades e atitudes para resolver problemas, enfrentar imprevistos, trabalhar em equipes e intervir em situações para melhoria da qualidade dos processos, produtos e serviços, com criatividade, liderança, visão empreendedora e dentro de princípios éticos.

“Baseia-se, também, na atuação responsável no sentido de considerar a sustentabilidade social, econômica, cultural e ambiental e o respeito a todos os agentes envolvidos na cadeia alimentar”, contou Wanessa.

O cientista de alimentos pode atuar em indústrias e empresas de pequeno, médio e grande porte, hotéis, empresas atacadistas, varejistas e de serviços de alimentação, cooperativas, associações e organizações não-governamentais (ONGs), órgãos públicos municipais, estaduais e federais e empresas prestadoras de serviços e consultoria na área de alimentos, ingredientes e insumos para a cadeia produtiva.

Proximidade com o mercado

Segundo a coordenadora, durante o curso, existe o estágio curricular obrigatório, que pode ser realizado em empresas do setor de alimentos ou em instituições de ensino e pesquisa, nacionais e estrangeiras. “Ao longo da formação, cada aluno participa de eventos técnico científicos, que podem ser a carga horária validada como Atividade Acadêmica Complementar.”

Em 2017, foram oferecidos treinamentos a alunos e profissionais do setor, vários gratuitos, permitindo a aproximação de empresas e ampliando o contato dos alunos com os desafios do setor. A Esalq mantém cerca de 500 convênios, principalmente com empresas privadas. Além disso, o incentivo à mobilidade internacional permite ampliar a possibilidade de atuação em nível mundial.

O Trabalho de Conclusão de Curso é realizado nos dois semestres finais da formação, facilitando a inserção no mercado de trabalho logo após a conclusão, dada a possibilidade de realização de parceria com empresas.

Tatiana Levada durante seu período de intercâmbio na França. Ela participou do programa de dupla-diplomação da Esalq com a escola francesa Oniris – Foto: Arquivo pessoal

Dupla-diplomação

O aluno que participar do programa de dupla-diplomação com a escola francesa Oniris (Ecole Nationale VeterinAire, Agroalimentaire et de l’Alimentation Nantes – Atlantique, França) recebe dois diplomas, um nacional e outro internacional, o que lhe possibilita atuação em mercado estrangeiro. A dupla-diplomação surgiu, neste curso da Esalq, em 2011.

Tatiana Levada fez intercâmbio para a França, na cidade de Nantes. Durantes seis meses, estudou na Oniris. Para ela, o maior desafio que teve na graduação. “Sempre tive muita paixão pela França e já falava francês antes mesmo de entrar na Esalq, mas estudar lá é um choque de cultura muito maior do que imaginamos. A universidade da França tem uma estrutura de primeiro mundo e com certeza foi essencial para minha completa formação como uma profissional na área de alimentos”.

Estágios e oportunidade de trabalho

Os alunos participam das atividades implementadas nos laboratórios pertencentes aos vários departamentos da Esalq, como biologia, química, matemática, instrumentação bioquímica e físico-química de alimentos, microbiologia de alimentos, entre outros.

Aline Oliveira concluiu seu o curso em 2017 e possui formação complementar na área de Food Science nas Universidades de Nebraska e Florida, nos Estados Unidos. Em 2016, Aline ela fez estágio na empresa Unilever. “Após o período de estágio, fui efetivada e atuo na área de pesquisa e desenvolvimento de produtos alimentícios. Sou responsável por desenvolver novos produtos e gerenciar processos de inovação e renovação de produtos.”

Letícia Trevizan se formou em 2014 e, na semana de sua colação de grau, descobriu que estava empregada. Desde então, trabalha na Arcor do Brasil como analista de Assuntos Regulatórios. “Posso dizer que as oportunidades que tive na Esalq, foram um diferencial para minha colocação no mercado de trabalho com tanta rapidez logo após minha formação.”

A cientista dos alimentos se dedica à área de assuntos regulatórios e sua principal atribuição é garantir que todos os produtos na empresa cumpram as normativas brasileiras vigentes e também dos países que exportam. “Faço isto por meio da análise de formulações, conferência de rotulagem, confecção de documentos para regularização dos produtos na Anvisa e também registros de produtos nos países que a Arcor exporta”.

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Gabriela Martins Spolidoro/Assessoria de Comunicação da Esalq

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