Empresas universitárias da USP são premiadas por projetos inovadores

Reconhecimento ocorreu em evento que reuniu empreendimentos de diversas faculdades de São Paulo

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Crianças pintando o Sol durante Projeto em Órbita – Foto: Divulgação IAG Júnior

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A partir do ano que vem, a organização das empresas juniores do Estado de São Paulo vai mudar. Elas não serão mais divididas por instituição de ensino, mas por região. São Paulo, São Carlos, Bauru e Campinas são os novos polos.
Nos dias 29 e 30 de setembro, foi realizado um encontro, o Desperte, para marcar o início simbólico do núcleo da capital e reconhecer empresas com projetos inovadores e de impacto social. Três entidades da USP receberam prêmios: Poli Júnior, IAG Júnior e Marketing Júnior. Conheça essas iniciativas:

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Reciclagem de resíduo industrial

Poli Júnior, da Escola Politécnica da USP

A proposta que rendeu a premiação gira em torno da área de engenharia química. De acordo com João Felipe Pasqua, diretor presidente da empresa júnior, a história começou com um cliente da cidade de Ribeirão Preto, dono de uma indústria do ramo ambiental. Nela, está instalado um pirolisador, máquina que faz a chamada pirólise – queima do lixo em condições anaeróbicas (sem o uso de oxigênio), método que, apesar de desconhecido, é bastante vantajoso.

O lixo queimado, principalmente o plástico, libera três substâncias: um gás combustível, que é reintroduzido no maquinário gerando energia; carvão, que pode ser vendido posteriormente; e um óleo, que até então não tinha função e poderia gerar problemas ambientais caso fosse descartado na natureza.

João Felipe conta que o interesse do cliente era achar uma utilidade para esse óleo. “Fizemos mais de 120 testes até descobrirmos que ele poderia ser usado como solvente.”

Mesmo encontrando o resultado, percebeu-se que a venda do produto seria difícil, visto que o óleo apresentava um odor desagradável, era viscoso e muito escuro. “Então fizemos um segundo projeto e conseguimos diminuir várias dessas características, tornando-o mais claro, menos viscoso e atenuando seu cheiro”, completa ele..

Membro da Poli Júnior fazendo testes para o projeto que foi premiado – Foto: Divulgação Poli Júnior

Astronomia para crianças

IAG Júnior, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP

A IAG Júnior  foi premiada pela iniciativa Projeto em Órbita, que ensinou, através de palestras e oficinas, conceitos básicos de astronomia para crianças de 5 e 6 anos, do Colégio St. Nicholas, localizado em Pinheiros, na cidade de São Paulo.

“A escola nos contratou para uma palestra sobre a Terra e sua interação com o Sistema Solar, e para oficinas, em que os alunos tinham que montar um modelo do Sistema Solar com tinta e bolinhas de isopor”, explica Pedro Nakamura, diretor de projetos da IAG Júnior.

A intenção é expandir a atividade para outras escolas e hotéis, como parte das atividades para os jovens. “Atualmente, estamos fazendo em um outro colégio. Dessa vez, com duração de um semestre. Toda semana, falamos sobre um tema. E ainda teremos uma observação noturna.”

De acordo com ele, existem dois pontos principais que mostram a importância dessa iniciativa. “Entregamos informação confiável para eles, porque estudamos esse assunto e, além disso, o assunto encanta os alunos, incentivando a busca por mais conhecimento sobre astronomia e ciência como um todo.”

 

Viabilidade de implantação de projeto

Marketing Júnior, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades

A outra premiada, que presta consultoria na área de marketing, se envolveu em um projeto relacionado a esportes. O cliente era o Centro Paralímpico Brasileiro, que pretendia recolher doações de produtos e vendê-los em uma loja. Nela, todo o dinheiro arrecadado iria para o próprio esporte paralímpico.

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Em ascensão no mercado, empresas juniores crescem dentro da USP

Além de arrecadar recursos para um setor que não tem muito apoio privado, a ideia também queria afetar o mercado de trabalho. “Essa loja empregaria apenas pessoas com deficiência, normalmente elas não têm as mesmas oportunidades no mercado. Isso ocorre por falta de confiança das empresas e não tem nada a ver com capacidade”, conta Mariana Guastella, diretora de comunicação da empresa.

Assim, os empregados poderiam ganhar experiência e “fazer currículo” na empresa. “O objetivo era ter um alto índice de rotatividade, porque os funcionários seriam impulsionados no mercado para um emprego fixo.”

O papel da Marketing Júnior foi fazer pesquisas para identificar a viabilidade da iniciativa, se o público teria interesse no projeto, onde poderia ser instalada a loja e qual produto seria comercializado. “Foram oito meses de duração até chegarmos à conclusão que era viável. Ela ainda não foi implementada porque depende de alguns investimentos”, completa Mariana.

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Empresas juniores

São empresas formadas por universitários e que prestam serviços para clientes de pequeno e médio porte. Através dessas instituições, os alunos ganham experiência profissional e são incentivados a ter iniciativas empreendedoras. Já quem contrata, além de melhorar a formação dos jovens, consegue ter bons resultados com preços abaixo do mercado.

Atualmente, existe uma lei que regulamenta o funcionamento dessas empresas. Uma das regras, por exemplo, é que os estudantes sejam funcionários voluntários, ou seja, todo o dinheiro arrecadado é investido na própria empresa. As áreas de atuação são enormes e, basicamente, alunos de qualquer curso de graduação podem montar o seu empreendimento, desde a engenharia até a comunicação.

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