USP investirá R$ 310 mil em capacitação de jovens da São Remo

Iniciativa da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), em São Paulo, quer ajudá-los a empreender e melhorar as condições da comunidade

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A comunidade São Remo fica na zona oeste de São Paulo, ao lado do campus Cidade Universitária da USP – Foto: Jorge Maruta/USP Imagens

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Uma iniciativa da USP vai capacitar 30 jovens com idades entre 18 e 30 anos, de comunidades ao redor do campus na Cidade Universitária, em São Paulo, e ajudá-los a se tornarem empreendedores. A ideia é que eles sejam agentes de transformação e criem projetos que melhorem as condições do local onde vivem.

O projeto Potencializa partiu das professoras da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP Kavita Miadaira Hamza e Ana Carolina de Aguiar Rodrigues. Elas inscreveram a proposta no edital Empreendedorismo Social da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) da USP e tiveram aprovado um auxílio financeiro de R$ 25 mil. Articulando parcerias, as professoras ainda conseguiram mais R$ 285 mil, somando R$ 310 mil para colocar o projeto em ação a partir de julho.

Rede de parceiros

O CAVC Idiomas, escola de línguas vinculada ao Centro Acadêmico Visconde de Cairu da FEA, entrou com a maior parte dos recursos externos. A entidade irá oferecer por um período de dois anos aulas gratuitas de inglês aos jovens participantes. “Esse projeto caminha muito próximo aos ideais que o CAVC sempre defendeu para a Universidade: que ela seja pública, gratuita e transforme a vida de seus alunos e da comunidade”, afirma a diretora do CAVC Idiomas, Ana Paula Bastos Vilar Garcia.

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O British Council, organização internacional do Reino Unido para relações culturais e oportunidades educacionais, vai contribuir com o Potencializa aplicando junto aos jovens uma metodologia chamada Active Citizens. Desenvolvida por eles, foi implementada em 68 países.

“É uma metodologia já bem consolidada em que eles potencializam jovens em situações vulneráveis para ajudá-los a empreender. Tem muito treinamento de autoconhecimento e de empoderamento, no sentido de: quem sou eu no mundo, qual é o meu papel, quais são os meus direitos, como faço para melhorar a comunidade em que eu vivo? Então, são cursos com esse objetivo, de potencialização do próprio jovem”, explica Kavita.

A ponteAponte, como seu próprio nome sugere, faz a ponte entre o primeiro, o segundo e o terceiro setor. “Eles ajudam a conectar as empresas que querem investir em projetos para melhorar a sociedade”, afirma a professora.

A empresa já realizou um piloto do programa no ano passado com oito jovens. Eles contribuirão com sua expertise em empreendedorismo social, realizando o processo de divulgação do programa e seleção dos jovens, a aplicação metodológica, articulação de professores e mentores, estruturação do currículo do programa em parceria com a FEA, preparação e compilação de conteúdos para as aulas, acompanhamento dos jovens ao longo do processo e avaliação dos resultados.

A Escola Aberta do Terceiro Setor vai ajudar a selecionar os 30 jovens que participarão do projeto. Também ajudará com a produção de três cursos ou videoaulas, com duração de 30 minutos cada, a serem disponibilizados gratuitamente na plataforma on-line da escola. Qualquer jovem terá acesso aos cursos e não somente os recrutados.

Cidadãos ativos

O principal objetivo do Potencializa é treinar os jovens das comunidades no entorno da USP para torná-los cidadãos ativos, que se empoderem por meio do conhecimento dos próprios direitos e sobre como se organizar em grupo. A capacitação dos 30 jovens escolhidos englobará temas como autoconhecimento, empreendedorismo social e gestão de projetos.

Segundo a professora Kavita Hamza, a metodologia ajuda a identificar os problemas na comunidade e criar soluções. Os jovens recrutados participarão de aulas, palestras, oficinas e encontros de inspiração (mentorias). Depois, o grupo se dividirá em cinco equipes para o desenvolvimento colaborativo.

As equipes colocarão em prática cinco projetos, que receberão ajuda financeira para sua implementação, ou seja, “investimentos-semente” no valor de R$ 5 mil. Serão dados mais R$ 500 para os dois melhores projetos, indicados pelos próprios jovens num processo de avaliação coletiva.

Para Kavita, o treinamento dos jovens das comunidades é uma forma de capacitá-los profissionalmente, ajudando-os a melhorar de vida. Ela enfatiza, no entanto, que os projetos a serem implementados deverão obrigatoriamente beneficiar a comunidade onde eles vivem.

Além das coordenadoras, Kavita Hamza e Ana Carolina Rodrigues, serão envolvidos no processo cinco alunos de graduação e pós-graduação da FEA. Futuramente, outros parceiros poderão ser procurados para investir financeiramente nas iniciativas.

Adaptado de Cacilda Luna, da Comunicação e Desenvolvimento FEA

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