Projeto da USP está entre as melhores práticas de educação florestal do mundo

Florestas do Futuro atendeu mais de 1,7 mil crianças de escolas públicas e foi finalista entre 71 ações de 23 países

Projeto deseja conscientizar crianças sobre a importância do meio ambiente – Foto: Hannah Lemos

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Há 21 anos, o
Projeto Florestas do Futuro desenvolve atividades de conscientização sobre o meio ambiente e sustentabilidade para crianças de escolas públicas de Piracicaba. Os responsáveis por realizar as ações são estudantes voluntários do curso de Engenharia Florestal da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP.

O projeto é uma iniciativa do Grupo Florestal Monte Olimpo, que apoia programas capazes de complementar a formação de estudantes e construir ações de interação social. Um dos coordenadores do Florestas do Futuro é Pedro Brancalion, professor da Esalq.

No dia 21 de março, a International Union of Forest Research Organizations (IUFRO) anunciou o ganhador e os finalistas da competição Task Force on Forest Education, que analisa as práticas mais destacadas de inovação florestal do mundo. O Florestas do Futuro foi escolhido um dos dez programas de educação ambiental infantil mais significativos. Foram apresentadas 71 propostas de 23 países.

O destaque foi termos nos posicionado tão bem com um projeto essencialmente conduzido por alunos de graduação e de forma voluntária”, comenta Brancalion.

Aprendizado e diversão

Mais de 1.700 crianças de escolas de Piracicaba já participaram do projeto. Para o professor Brancalion, o contato com a educação ambiental precisa começar na infância, fase de aprendizado e formação de caráter. “É essencial para despertar na criança o interesse em cuidar da natureza.”

As atividades do Florestas do Futuro ocorrem no campus da USP com grupos de 20 a 40 crianças de 4 a 10 anos. A visita é orientada por um grupo de estudantes de graduação que ensinam a partir de brincadeiras e atividades lúdicas.

Diversos temas são trabalhados nas oficinas. Em uma delas, chamada O Refúgio, é mostrada às crianças a dificuldade que os animais enfrentam após a destruição da sua casa, a floresta. Em Boliche na Floresta, os pequenos constroem maquetes com animais, árvores, frutas, terra e sementes. Isso proporciona que elas aprendam sobre a importância de cada componente da natureza.
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Crianças participam de piquenique no final das atividades – Foto: Hannah Lemos

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No final das atividades, é dada à criança uma folha para desenhar a parte do dia que mais gostou. Dessa forma, o projeto fica atento a quais oficinas capturaram mais a atenção delas e foram eficientes em proporcionar um aprendizado.

Além das oficinas, os alunos de escolas públicas também participam de um piquenique, ganham uma camiseta do Florestas do Futuro e um kit com mochila personalizada, caderno de colorir, giz de cera, lápis de cor e um pote de mel –  durante o dia é explicado que o produto vem das florestas e abelhas.

Para melhorar a iniciativa, Brancalion explica que desejam promover uma ação mais continuada a partir deste ano. A ideia é diminuir o número de escolas mas realizar um acompanhamento permanente. O projeto também planeja expandir a iniciativa para além das escolas públicas e alcançar casas de acolhimento infantil.

Trabalho dos universitários

Segundo Sofia Bosque Barreto e Hannah Corina Lemos, estudantes da Esalq, coordenadoras e bolsistas do Florestas do Futuro, o projeto as preparou para trabalhar melhor com pessoas. Como o público da iniciativa são crianças, os voluntários precisam saber interagir corretamente com elas e cativá-las para que o processo de aprendizagem seja eficiente. Os voluntários são instruídos antecipadamente sobre como agir com as crianças, qual o perfil da instituição que vão trabalhar e como funcionam as atividades.

“No começo, quando era voluntária e antes de me tornar coordenadora, precisei melhorar muito minha comunicação e empatia com as crianças, muitas vezes, me colocando no lugar delas para entender certos comportamentos e o melhor jeito de passar a mensagem do programa”, explica Hannah.

Como coordenadoras, é dever delas resolverem demandas do projeto, como atualizar redes sociais, entrar em contato com as escolas, buscar patrocínio, recrutar voluntários e deixar tudo organizado para as oficinas. Sofia conta que os voluntários fazem desde a limpeza de pincéis até a busca de apoio de papelarias para confeccionar os kits.

Os estudantes da Esalq têm a oportunidade de vivenciar a parte humanística da profissão, diferente dos conteúdos vistos em sala de aula. “O contato que eles possuem com as crianças permite que enxerguem o privilégio que tiveram, o que desperta o desejo de contribuírem com a sociedade”, explica o professor Pedro Brancalion.

 

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