O rock não é coisa do diabo

Giselle Beiguelman diz que acusações aos Beatles e Rolling Stones revelam medo do poder crítico do rock

“Uma espécie de 7 a 1 por dia na área da cultura. O que está acontecendo agora é inédito pelo menos desde a redemocratização do País. O que estamos testemunhando é a nomeação de pessoas que não só são totalmente alheias ao meio cultural, mas que também não têm produção reconhecida no meio para trabalhar em um setor altamente especializado que é o da cultura”, comenta Giselle Beiguelman em sua coluna Ouvir Imagens, da Rádio USP (93,7 MHz, clique e ouça o player acima).

Beiguelman critica as diversas nomeações de novas chefias e diretorias para diferentes órgãos do governo federal. “Além do mais, as declarações feitas por alguns desses nomeados são verdadeiros manifestos contra a diversidade, contra as expressões que caracterizam  a contemporaneidade e contra a produção nacional.”

A subordinação da Cultura ao Ministério do Turismo, já comentada em coluna anterior, e ações como a retirada de cartazes dos filmes brasileiros dos corredores e do site da Ancine são alguns dos muitos exemplos insanos, diz. “É uma espécie de sequestro da memória gráfica e da história do cinema nacional”, critica Beiguelman. “As declarações dos novos titulares evidenciam sua aversão às manifestações contemporâneas no campo das artes, e isso é preocupante.”

A colunista, artista e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP cita a afirmação polêmica do novo presidente da Funarte. “Ele declarou que os Beatles defendiam o comunismo e que o rock incentiva o aborto”, protesta. “O rock é uma das manifestações culturais mais importantes do século 20. Aproximou a cultura de massa da cultura afro-americana, liberou os corpos dos compassos fechados e deu fôlego à crítica social e de costumes.”

Beiguelman encerra a sua coluna convidando os ouvintes/leitores da Rádio e do Jornal da USP a ouvir Simpathy for the Devil, dos Rolling Stones. “Nessa música, que incorpora elementos do candomblé, o Diabo fala em primeira pessoa. Comenta sua obra a partir de fatos recentes da época, como o assassinato de Robert e John Kennedy, e se apresenta como uma pessoa  de riqueza e bom gosto…  Enfim, uma ‘pessoa de  bem’.”

Confira no link:
https://youtu.be/RkUhPV40e20


Ouvir Imagens 
A coluna Ouvir Imagens, com a professora Gisele Beiguelman, vai ao ar toda segunda-feira às 8h00, na Rádio  USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e  TV USP.

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