Pílula Farmacêutica #66: Hipertensão é doença silenciosa que ameaça saúde cardiovascular

Como é assintomática, população deve atentar para histórico familiar, alimentação saudável e prática regular de atividade física

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Jornal da USP
Pílula Farmacêutica #66: Hipertensão é doença silenciosa que ameaça saúde cardiovascular
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O dia 26 de abril é o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, data marcada, anualmente, por campanhas de conscientização da população. E o alerta tem base na gravidade da doença crônica e silenciosa para o desenvolvimento de problemas cardiovasculares e grande impacto na mortalidade da população. Por isso, a acadêmica Kimberly Fuzel, orientada por Regina Andrade, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, conta, nesta edição do Pílula Farmacêutica, um pouco mais sobre a “pressão alta”.

O que é hipertensão?

Uma pessoa é considerada hipertensa quando “a pressão que o sangue faz na parede das artérias é muito forte e passa dos limites considerados normais”, diz Kimberly. Esse trabalho, de fazer o sangue chegar a todas as regiões do corpo, é realizado pelo coração que se contrai, “criando uma pressão sobre as artérias, a chamada pressão arterial sistólica”. 

A medida dessa pressão é feita por um aparelho chamado esfigmomanômetro, que é posicionado em volta do braço e mostra uma quantidade em milímetros de mercúrio. O valor normal da pressão arterial sistólica, que corresponde à pressão quando o coração se contrai, é de 120 milímetros de mercúrio. Quando chega aos 140 milímetros ou os ultrapassa, o quadro é considerado de hipertensão.

Além da sistólica, “temos também a pressão diastólica, que indica quando o coração repousa entre uma batida e outra”, comenta a acadêmica Kimberly, adiantando que o valor normal dessa pressão é de 80 milímetros ou menos. Quando passa de 90, já se considera caso de hipertensão.

Causas e sintomas da hipertensão

Como uma doença silenciosa, a hipertensão arterial só provoca sintomas quando aumenta de forma brusca e “já se encontra em uma fase avançada”, alerta Kimberly. Os mais comuns são dor de cabeça, falta de ar, visão embaçada, zumbido no ouvido, tontura e dores no peito.

Assim, as autoridades de saúde alertam para os principais fatores de risco: apresentar histórico familiar, idade avançada (a partir dos 60 anos, as artérias perdem a flexibilidade), obesidade, estresse e sono irregular. Chamam atenção ainda para hábitos de consumir comida muito salgada, muita bebida alcoólica, fumar, não praticar atividades físicas, além de outros fatores como doenças renais, diabete e menopausa.

Como evitar a hipertensão?

O combate à hipertensão, segundo a acadêmica, é feito com mudança para um estilo de vida saudável. A recomendação é atividade física e cuidados alimentares. A prática de atividades físicas regulares, lembra Kimberly, principalmente as aeróbicas, “induzem a liberação de óxido nítrico, uma substância vasodilatadora, que relaxa as artérias e assim a pressão pode diminuir”. Contudo, os exercícios devem ser moderados e orientados por profissionais da área.

O cuidado com a alimentação, garante a acadêmica, também é fundamental, já que o consumo exagerado de sódio, principal componente do sal de cozinha, “está diretamente ligado com o aumento da pressão arterial”. E o brasileiro tem o hábito de ingerir cerca de 12 gramas de sal por dia, quando o recomendado é de, no máximo, 5 gramas por dia, o equivalente a uma colher de chá. Além do controle do sal, é necessário consumir frutas, legumes, verduras, grãos integrais “e alimentos ricos em potássio, cálcio e magnésio, que são minerais que ajudam a regular a contração dos vasos sanguíneos e do coração”.

O tratamento envolve, sempre, mudanças de hábitos para um estilo de vida mais saudável, mas, caso não sejam suficientes, “é preciso que sejam combinadas com o uso de medicamentos anti-hipertensivos”, devidamente orientados pelo médico responsável.


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