Cineclube de São Carlos exibe “Sociedade dos Poetas Mortos”

Filme será apresentado no dia 30 de março, às 20 horas, no Centro de Difusão Científica e Cultural da USP

Por - Editorias: Cultura - URL Curta: jornal.usp.br/?p=229241
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Cena de Sociedade dos Poetas Mortos, com Robin Williams no elenco – Foto: Divulgação
O drama Sociedade dos Poetas Mortos, produção norte-americana de 1999, com Robin Williams no elenco, será apresentado no dia 30 de março, sábado, às 20 horas, dentro da programação do Cineclube do Centro de Difusão Científica e Cultural (CDCC) da USP, em São Carlos. Os outros filmes a serem exibidos ainda neste mês pelo Cineclube são O Lobo do Deserto (dia 16, sábado, às 20 horas) e Agnus Dei (dia 23, sábado, às 20 horas). A entrada é grátis. O CDCC fica na Rua Nove de Julho, 1.227, Centro, em São Carlos. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (16) 3373-9772 e no site do CDCC.
Dirigido por Peter Weir, Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society) conta a história de um professor de poesia que busca fugir dos métodos ortodoxos de ensino para incentivar jovens a pensarem por si mesmos. O filme é ambientado na Academia Welton, onde predominam valores tradicionais, que se baseiam em quatro pilares: tradição, honra, disciplina e excelência. “Indo contra esses conceitos, o recém-chegado professor Keating leciona utilizando-se de uma via que encoraja seus alunos a não apenas enxergarem poesias como objetos de estudo e análises, mas como uma forma profunda de externalizar emoções e sentimentos humanos”, analisa o crítico Douglas Gomes Lima dos Santos, do CDCC. “Conquistando o interesse dos jovens alunos com seu carisma, Keating incentiva-os a reviver a Sociedade dos Poetas Mortos, um grupo secreto que se encontra periodicamente para recitar poesias. Mais do que isso, ao longo da trama vemos que esse grupo serve de ferramenta para que os jovens se identifiquem e aceitem seus próprios ideais.”
No decorrer do longa, é explorada a pressão imposta pelo caráter dogmático e autoritário da escola ao interferir na vida dos jovens de forma negativa. “Também a imposição feita pelos pais, que desejam moldar o futuro de seus filhos, sem levar em consideração o que eles pensam, gera um problema que muitas vezes encontramos em nosso meio acadêmico e social: jovens desesperados e com doenças psicológicas originadas pelo estresse de não conseguirem ser quem eles realmente são”, informa Santos. “Recheada de imagens metafóricas, a obra exprime precisamente a mensagem principal de que sempre devemos enxergar o mundo de uma perspectiva alternativa, não deixando que ninguém condicione nossa maneira de pensar, para que, assim, possamos encontrar nossa própria felicidade, mesmo que isso signifique revoltar-se e ir contra o que nos é imposto.” Com 129 minutos, o filme tem no elenco, além de Robin Williams, Robert Sean Leonard e Ethan Hawke (assista aqui ao trailer do filme).
O Lobo do Deserto, de Naji Abu Nowar, mostra aspectos da realidade vivida na Arábia Saudita – Foto: Divulgação

O Lobo do Deserto (Theeb), drama que será apresentado pelo Cineclube neste sábado, dia 16, é uma produção norte-americana de 2014, tem 100 minutos de duração e conta no elenco com os atores Jacir Eid, Hassan Mutlag e Hussein Salameh. É o filme de estreia em longas-metragens do cineasta Naji Abu Nowar. Ele explora os aspectos da realidade vivida na região da Arábia Saudita. Ambientado na província de Hejaz, durante a Primeira Guerra Mundial, relata a jornada de dois jovens beduínos, Theeb e seu irmão mais velho, Hussein. O ponto de partida se dá quando Hussein é designado para guiar um oficial britânico até um antigo poço romano. Alertando dos perigos do caminho, Hussein proíbe Theeb de o acompanhar nessa tarefa, porém o garoto desobedece e o segue sem que ele saiba. Chegando ao seu destino, o grupo é atacado por bandidos da região e, a partir daí, se vê obrigado a lutar pela sobrevivência em meio aos perigos encontrados no deserto. “A trama se baseia principalmente na evolução do personagem principal Theeb, que inicia a história como uma criança comum que pensa apenas em se divertir, mas que, infelizmente, encontrará a necessidade de tomar decisões importantes para continuar vivo”, diz o crítico Douglas Santos. Segundo ele, o filme consegue expressar de forma natural e impactante o que uma criança sente em tais cenários. “É importante destacar também como o diretor consegue expor aspectos da cultura local, explorando principalmente a supressão da violência e a criação de atmosferas que substituem os poucos diálogos contidos no filme, gerando um clima crescente de tensão e suspense latentes” (assista aqui ao trailer do filme).

Baseado em fatos, Agnus Dei exibe a luta de uma médica para ajudar freiras vítimas de estupros – Foto: Divulgação
A ser exibido pelo Cineclube no dia 23, Agnus Dei (Les Innocentes, França, 2016, drama, 115 minutos) é ambientado em 1945. Dirigido por Anne Fontaine, o longa tem enfoque na personagem Mathilde Beauliei, uma médica interpretada por Joanna Kulig. Trabalhando numa missão da Cruz Vermelha na Polônia, para cuidar de sobreviventes franceses feridos em decorrência da Segunda Guerra Mundial, ela encontra uma freira em busca de ajuda e a leva para uma comunidade de 30 freiras isoladas da sociedade em função de sua religião. Chegando no local, a médica descobre que sete dessas mulheres estão grávidas, vítimas de estupros e prestes a terem seus filhos. Ela se prontifica a ajudá-las em seus partos, porém encontra dificuldades por conta do puritanismo seguido pelas religiosas e pelo sigilo que deve ser mantido. “O longa então se desenrola nesse tema polêmico e pesado, mas que, de maneira sutil, toca em diversas feridas da Igreja Católica e nos conflitos que podem ser gerados por conta da fé. Mais do que isso, o filme aborda o assunto sobre violência sexual de maneira que possibilita expor a angústia vivida por mulheres que sofreram abusos”, destaca Douglas Santos. “Baseado em fatos descritos no diário de Madeleine Pauliac, uma médica polonesa que presenciou diversos casos de mulheres grávidas vítimas de estupro, a obra consegue externalizar toda a melancolia necessária para tratar desse tema, conduzindo o espectador com sua trilha sonora impecável e suas cenas sombrias que transmitem toda a tristeza ambientada durante a trama” (assista aqui ao trailer do filme).

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