Corante bloqueia receptor importante para células cancerígenas

Próximo passo é utilizar nanotecnologia para ser possível consumir doses pequenas que obtenham êxito, amenizando os efeitos colaterais

jorusp

Pesquisa que usou corante para combater câncer ganha prêmio de oncologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). O estudo investigou o neuroblastoma, câncer que comumente surge na glândula suprarrenal, que pode se espalhar para a medula óssea, osso, fígado, gânglios linfáticos ou, menos comumente, pele ou cérebro. Quase 90% das ocorrências desse tumor são em crianças, e cerca de 50% a 60% delas já têm metástase no momento do diagnóstico. Para entender melhor, o Jornal da USP no Ar conversou com a responsável pela pesquisa, Claudiana Lameu, professora de Bioquímica do Instituto de Química (IQ) da USP.

Segundo Claudiana, o estudo começou há quatro anos, quando ela iniciou seu pós-doutorado nos Estados Unidos. No entanto, foi no período da graduação que ela foi motivada a pesquisar sobre câncer após estagiar no Instituto da Criança e presenciar muitos casos envolvendo metástase nos pacientes. A metástase é a principal causa de morte relacionada ao câncer, chegando a 90% dos casos.

Foto: Reprodução / YouTube

Em 2000, especialistas descobriram que o corante Brilliant Blue G era capaz de bloquear o receptor P2X7, presente em diversas células e em processos fisiológicos e patológicos importantes para o organismo. As células do câncer se apropriam de modo indevido de partes do organismo saudável para tentar sobreviver e esse receptor se torna importante para resistência e migração dessas células cancerígenas no organismo. Chegando à conclusão que o corante consegue bloquear a funcionalidade do receptor, testes foram feitos em camundongos com êxito.

O corante já é aprovado pela Vigilância Sanitária para uso em alimentos. Porém, a dose que foi utilizada em animais para diminuir ou até bloquear a metástase foi muito alta. Por essa razão, em parceria com professores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, os pesquisadores pretendem criar um corante alimentício usando nanotecnologia e conseguir usar doses pequenas que obtenham o mesmo resultado e amenizem os possíveis efeitos colaterais. O estudo poderá ser ampliado para outros tipos de câncer.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Ouça, no link acima, a íntegra da entrevista.

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