Projeto avalia integração dos museus da USP no turismo paulistano

Dois museus já foram analisados, MAC e MZ. Um dos pontos a melhorar, que não é exclusividade de museus universitários, é a falta de estudos de público

Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

A USP possui  16 centros culturais e museus espalhados pelo estado. Além de serem lugares de pesquisa, esses espaços também possuem acervos que contam histórias. Do Brasil, de São Paulo, da Universidade. Dos 665 museus paulistas cadastrados no Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) até outubro de 2018, 27 estavam entre os 100 mais visitados do Brasil. No top 5 de museus mais visitados da região sudeste, porém, não havia nenhum museu da USP.

Os dados do Formulário de Visitação Anual de 2018 mostram que os museus em geral ocupam um espaço importante na programação cultural. Mas, e os museus da USP? Foi a partir desta questão que a professora do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP) Clarissa Maria Rosa Gagliardi começou a desenvolver o projeto Museus da USP no circuito de turismo cultural paulistano, desenvolvido no âmbito do Programa Unificado de Bolsas (PUB).

Com características de extensão, por promover a integração com outros setores da sociedade, o projeto foi iniciado em 2018. A primeira etapa contou com auxílio de dois bolsistas, Diego Peralta e Katia Rodrigues dos Anjos, que finalizaram seus relatórios técnico-científicos agora no mês de agosto.

Um dos objetivos do projeto é “ter uma noção mais geral sobre a estrutura para atendimento ao turista dos museus da USP e também verificar o quanto já estão inseridos no circuito de turismo cultural da cidade, quantos já constam na agenda dos turistas que vêm a São Paulo”, explica a docente.

Museu de Zoologia – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Nesse primeiro momento de pesquisa, dois museus foram analisados: o Museu de Arte Contemporânea (MAC) e o Museu de Zoologia (MZ). Além desses, o Museu Paulista também tem certo destaque no circuito turístico, pois tem grande visibilidade e é um dos museus mais visitados de São Paulo. Por conta das reformas, porém, encontra-se fechado, impossibilitando certas etapas da pesquisa.

Os dois museus analisados, MAC e MZ, já têm um bom número de visitantes, mas ainda precisam se aprimorar em alguns aspectos, concluiu esta etapa da pesquisa. Uma dos pontos de melhoria, não exclusivo de museus universitários, é o estudo de público. A falta deste estudo impede que as equipes responsáveis desenvolvam atividades adequadas a cada tipo de pessoa. Atualmente, plataformas digitais, como TripAdvisor, permitem que os próprios visitantes façam suas avaliações dos museus. Essa inclusive foi uma das informações levantadas pelos alunos bolsistas na primeira etapa do projeto, que revelou que o MAC e MZ têm boas posições nos rankings.

Outro desafio das instituições é a integração com o mercado profissional do turismo. Com os resultados obtidos já na primeira fase de pesquisa, a docente conta que foi possível perceber que poucas agências contemplam os museus da USP em seus itinerários de turismo cultural. “Os profissionais da área acabam perdendo uma oportunidade de qualificar os seus roteiros, diversificar o tipo de atrativo que costumam apresentar aos visitantes. É uma maneira de tornar a experiência na cidade mais rica, com informações de qualidade e com credibilidade, visto que são produzidas no âmbito das pesquisas feitas na Universidade”, comenta.

Para Clarissa, o caso da USP é ainda mais emblemático, pois os museus são uma chance de mostrar ao público que o investimento feito na Universidade é revertido em boas iniciativas para toda a sociedade. Há uma possibilidade tangível de ver os resultados das pesquisas. Além disso, do ponto de vista da pesquisa, o interesse em integrar mais as instituições culturais da USP nos itinerários propostos pelas agências de turismo faz com que o projeto tenha um lado tanto teórico quanto prático, avalia a docente.

Ao longo do primeiro ano de desenvolvimento do projeto, os bolsistas levantaram informações sobre a percepção dos turistas sobre os museus e fizeram entrevistas com os profissionais do MAC e do MZ. Além disso, também foi feita uma análise da infraestrutura dos lugares, assim como seus entornos.

Segundo o relato da professora, a receptividade dos museus foi maior. Os bolsistas conseguiram angariar mais informações e diagnosticar mais problemas por parte dessas instituições, em comparação com as agências de turismo. O trabalho foi realizado nos dois âmbitos, pois um dos objetivos, a longo prazo, é promover ações conjuntas e harmônicas entre esses dois mercados complementares. O projeto entra novamente no PUB esse semestre, para dar continuidade aos trabalhos iniciados no ano passado.

Museu de Arte Contemporânea – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Por que visitar museus

Os museus carregam uma característica importante, que excede as barreiras do entretenimento. Na verdade, são lugares de patrimônio. Para Clarissa, é importante que o turista, ao visitar esses locais, conheça mais da história da cidade. Por esse motivo, as visitas não podem ser apenas contemplativas. É papel dos profissionais dos museus, portanto, oferecer oportunidades de aprendizado adequadas ao perfil do visitante.

O projeto almeja não só fazer um levantamento de informações, mas também impactar o circuito cultural paulistano, para que ele contemple os museus da USP. Além do ganho da experiência do turista, que conhece lugares além daqueles já consagrados em cartões-postais, os museus também conseguem expandir seu alcance, mostrando a relevância de seus acervos.

“É importante que o turista participe dessa publicização do conhecimento e das pesquisas produzidas na Universidade através dos museus”, diz a docente do CRP.

Aplicativo Entreartes: premiando a cultura

No aplicativo, é possível trocar pontos por diversos prêmios – Foto: Reprodução

Outra vantagem em conhecer e participar de atividades culturais da USP é a possibilidade de ganhar prêmios. Através do aplicativo Entreartes, da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU), os alunos da USP podem acumular pontos e trocar por livros, camisetas, CDs, moletons, entre outros.

O esquema de pontuação é simples: basta ver as atividades – cadastradas pelos professores da USP no sistema Apolo –, comparecer aos locais e escanear o QR Code, presente nos espaços e eventos culturais.

Nesse semestre, uma parceria entre a PRCEU e a Pró-Reitoria de Pós-Graduação criou a disciplina Atividades de Cultura e Extensão Universitária na Pós-Graduação, que atribui dois créditos a alunos de pós-graduação que comparecerem a atividades divulgadas pelo Entreartes. A participação em quatro ou mais atividades concede frequência de 100% e conceito A ao estudante. O objetivo é incentivar que alunos de mestrado e doutorado aproveitem as diferentes oportunidades de cultura e arte oferecidas nos campi da USP.

Segundo dados fornecidos pela PRCEU, desde o início do Entreartes, 622 eventos foram cadastrados na plataforma, totalizando 9.758 visitas. O campus da capital é o que mais oferece possibilidade de atividades, mas o aplicativo também marca presença nos outros campi. O Museu de Zoologia é campeão em número de visitas registradas no aplicativo.

Maria Eduarda Nogueira / ECA

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