Pedagogia pode ter prejuízos com educação não presencial

Para especialista, são as crianças as que têm mais a perder com educação a distância durante pandemia

Com escolas e universidades fechadas por conta da pandemia do novo coronavírus, a saída encontrada pelas redes de ensino foi aplicar o ensino não presencial, diferente do ensino a distância, também conhecido como EAD, seja de forma on-line ou manual, com atividades para serem feitas em casa. 

O ensino não presencial foi feito às pressas e quase sem planejamento e atende a todos os alunos, do ensino básico à universidade. Mas a implantação desse sistema pode trazer prejuízos à pedagogia, alerta a professora Bianca Corrêa, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP. Segundo a professora, com as aulas no esquema não presencial, a comunicação entre aluno e professor fica prejudicada e isso faz com que haja “um comprometimento da pedagogia”.

“Se professores e estudantes estão distantes, com problemas de comunicação, o que o professor fala não consegue ser alcançado pelos alunos. E o que os estudantes precisam falar não chega até os professores. Sairemos perdendo nesse processo”, continua a professora. 

Bianca acredita que o principal problema não sejam as aulas a distância, mas a forma como foram implantadas, ”às pressas e sem planejamento”. As aulas a distância, segundo ela, seriam mais proveitosas se funcionassem como complemento, mas nem mesmo os professores estavam preparados para essa mudança tão repentina na forma de ensino. 

“Uma coisa é você fazer educação a distância em um curso que é montado com essa natureza e, particularmente, para adultos que já tiveram, inclusive, uma formação na graduação presencial. O problema é que estamos vivendo uma pandemia, que ninguém estava esperando e poucos sistemas pararam para se organizar e preparar os próprios professores para que essas mudanças acontecessem. Esse é o maior problema de todos”, afirmou Bianca. 

E a educação infantil é a que mais deve perder com essa realidade, pois é “algo absurdo” para as crianças. Embora alunos do ensino superior também tenham prejuízos, a professora enfatiza que crianças aprendem mais com interação nas aulas. “As crianças da educação infantil querem brincar e interagir, esse é o jeito pelo qual elas aprendem. Sozinhas, em frente ao computador ou com um papel, elas não vão ter um aproveitamento em termos de aprendizagem”, destacou. 

As desigualdades sociais, com famílias sem celular ou computador, também são ressaltadas pela professora. Por isso, Bianca conta que fez um balanço do início da implementação do sistema de aulas a distância no País na pandemia. E os resultados confirmam a falta de preparo para uma mudança tão radical e a necessidade “de valorizar mais a educação no Brasil”. 

Ouça a entrevista no link acima. 

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