Sanitarista brasileiro ajudou a idealizar a Organização Mundial da Saúde

Geraldo de Paula Souza, médico que também fundou a Faculdade de Saúde Pública, representava o Brasil internacionalmente em questões de saúde

Em tempos de pandemia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) ganhou popularidade e finalmente o público parece ter entendido melhor o que engloba o campo da saúde pública. O que pouca gente sabe é que a criação da OMS teve o médico sanitarista brasileiro Geraldo de Paula Souza como um de seus idealizadores. É o que detalha a tese Entre a ciência e a política: Ensino, atendimento e pesquisa no Instituto de Higiene de São Paulo, de Mariana Dolci, historiadora e  doutora em Ciência pela Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, com quem o Jornal da USP no Ar conversou.

A Mariana explica que Paula Souza vinha de uma família bastante tradicional de São Paulo. Depois de se formar médico e farmacêutico no Rio de Janeiro, ele foi convidado em 1918 para se doutorar pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. “Ele tinha uma vida política bastante agitada, como um representante do Brasil, em questões de saúde. Assim, em 1945, durante uma reunião da Organização das Nações Unidas (ONU), juntamente com um diplomata da China, propõe a ideia da criação de um órgão que seria uma agência multilateral da ONU, voltada para a saúde internacional. Tratava-se do que hoje é a OMS”, conta Mariana.

A trajetória do médico está relacionada à história do campo da saúde pública no Brasil. Segundo Mariana, uma das principais ideias dele é a dos centros de saúde. “Ele criou, dentro do Instituto de Higiene”, conta ela, “o primeiro Centro de Saúde Escola da América Latina, que existe até hoje, prestes a completar 95 anos de existência. Nele, há uma ideia de cuidado integral, que começa já na prevenção”.

Mariana reforça que o Brasil tem bastante prestígio na área da saúde pública, com pesquisadores importantes, reconhecidos internacionalmente. “No entanto, é triste pensarmos que o País cairá em descrédito em razão das políticas que vêm sendo adotadas no combate ao coronavírus. Isso representa todo o esquecimento dessa história, uma questão problemática no Brasil: a memória”, completa.

texto alterado em 11/06 às 11h04


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