Proibição de canudo plástico não resolve questão ambiental

Para especialista, projeto de lei possui caráter simbólico importante, mas não será eficaz sozinho

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Segue na Câmara Municipal de São Paulo projeto que proíbe o fornecimento de canudos plásticos. O Projeto de Lei 99/2018, aprovado em primeira votação, seguirá para segunda votação na próxima semana. Caso aprovado, ainda deverá passar pela sanção, ou veto, do prefeito Bruno Covas. Para entender os impactos dessa lei, o Jornal USP no Ar conversou com o professor Pedro Luiz Côrtes, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP.

O Projeto de Lei acompanha um movimento observado em outros municípios, como na cidade do Rio de Janeiro, primeira capital brasileira a proibir o fornecimento de canudos plásticos. Para o professor Côrtes, a metida possui um caráter simbólico maior que o efetivo, sendo necessária a implementação de outras ações para que a gestão de resíduos tenha melhorias.

A substituição de descartáveis plásticos por similares biodegradáveis é fundamental, mas sempre deve ser acompanhada por campanhas educacionais, a fim de orientar a população sobre a importância dessas medidas. O professor comenta que as sacolas plásticas possuem um impacto ambiental superior ao dos canudos. E que ambos poderiam ser substituídos por semelhantes produzidos a partir do papel, reduzindo o dano ambiental. No entanto, sem o trabalho educacional adequado, medidas como essas podem gerar desentendimento entre população e poder público.

Em 2011, durante a gestão de Gilberto Kassab, os supermercados foram proibidos de fornecer sacolas plásticas. O professor lembra que a lei não foi bem recebida pelos moradores da cidade de São Paulo, provocando desconcerto. Não há dúvidas de que o episódio foi fruto da ausência de campanhas de conscientização ambiental. Outros projetos, como a ampliação da coleta seletiva e a valorização de cooperativas de catadores de materiais recicláveis, são essenciais para amenizar a problemática ambiental.

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