Narrativas sobre diversidade africana não chegam ao Brasil

No “Diálogos na USP”, especialistas discutem sobre a visão superficial e estereotipada que ainda se tem sobre o continente africano

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Nesta edição do Diálogos na USP, Marcello Rollemberg conversa com Laura Moutinho, professora do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e coordenadora do projeto Pró-África,  A Vizinhança nas entrelinhas: alianças e conflitos, trocas (des)iguais e cooperação entre Moçambique e África do Sul, e Leila Leite Hernandez, professora do Departamento de História da FFLCH e autora do livro A África na Sala de Aula, a respeito do continente africano.

Foto: Nasa via Wikimedia Commons – Domínio Público

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O território da África corresponde a cerca de 20% do território mundial e conta com, aproximadamente, um bilhão de habitantes distribuídos em 54 países. Contudo, o continente ainda ocupa um papel periférico no tabuleiro geopolítico e econômico mundial, chamando atenção apenas em momentos de ebulição social e desastres naturais, preservando o estereótipo enraizado.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

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A imagem do continente no senso comum ainda acredita em uma divisão entre duas Áfricas: a branca, ao norte, e a primitivista, de um povo à deriva, de acordo com Leila. Para Laura Moutinho, essas ideias são motivadas por uma narrativa construída pela própria imprensa e é necessário que se relativize as ideias de “centro” e “periferia” e se pense a respeito da diversidade.

“A imprensa ignora a vida e a diversidade que há em todas as regiões fora do ‘centro’”. O papel dos veículos noticiosos na construção imagética das relações geopolíticas, econômicas e sociais da África é destacado por Moutinho, que acredita que a heterogeneidade do continente não chega ao Brasil. “No Brasil, eu conhecia a diferença, quando cheguei na África, conheci a diversidade.”

Leila Hernandez. Foto: Marcos Santos / USP Imagens

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“A primeira vez que ouvimos falar sobre África no Brasil é quando ouvimos falar de escravos.” Leila acrescenta que o discurso apresentado aos brasileiros trata dos negros escravizados, como se eles não tivessem nenhuma história. Para ela, a descontinuidade de programas do governo, do interesse para além do norte africano e a visão de que os países da África não são parceiros econômicos importantes ainda imperam no Brasil.

Laura Moutinho. Foto: Marcos Santos / USP Imagens

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As entrevistadas abordam também a importância de se retomar as lideranças e agentes africanos, que foram fundamentais na história dos países da África. Para Laura, a arte combativa africana também deve ser notada, e a atenção aos movimentos que surgem no continente faz a diferença.

Ouça no link acima a íntegra desta edição do Diálogos na USP, que teve apresentação de Marcello Rollemberg e trabalhos técnicos de Márcio Ortiz. A produção é do Departamento de Jornalismo da Rádio USP.

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