Mudança na legislação de agrotóxicos não deverá ser aprovada em plenário

Para o colunista, os deputados que votarem a favor da proposta poderão ser considerados como “criminosos de guerra” no futuro

No último dia 25, uma comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou um parecer, por 18 votos favoráveis contra nove contrários, que permite a liberação de pesticidas mesmo antes de concluídas análises sobre eventuais riscos. Para o professor José Eli da Veiga, trata-se de um retrocesso. “Provavelmente não será aprovado em plenário, mas é bom anotar os nomes dos deputados que votarem a favor do projeto, que serão condenados e considerados, no futuro, como ‘criminosos de guerra’!”, afirma o colunista. O parecer deve seguir para o plenário da Câmara.

Depois de vítimas dos agrotóxicos da Monsanto, e, particularmente, do glifosato, terem acionado a justiça no ano passado, foram revelados os Monsanto’s papers. Ficou então evidenciado que a empresa sabia, desde o início, que o glifosato é cancerígeno. “Eles tinham estudos científicos mais apurados e, mesmo sabendo disso, fizeram propaganda e venda do glifosato, usado hoje em cerca de 160 países”, avalia.

As vítimas entraram com ações judiciais contra a Monsanto, mas isso deverá levar muito tempo. Mas há um caso, em São Francisco, na Califórnia (EUA), em que a Justiça determinou a antecipação do processo, porque a vítima pode morrer de uma hora para outra. “Caso este cidadão norte-americano consiga, haverá uma enxurrada de processos contra a empresa.” Segundo o colunista, há outro julgamento que está começando na França e se refere a uma criança com sérios problemas, porque a mãe não sabia que estava grávida quando usou em demasia o glifosato para limpeza de uma área. “Esse problema das grávidas em contato com poluentes é muito mais sério do que pensamos.” Eli da Veiga informa, ainda, que a empresa foi vendida para a Bayer. “Antes disso, fez uma reserva de US$ 277 milhões para contenciosos judiciais”, conta.

Ouça a coluna na íntegra.

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