Linha da pobreza pode ajudar a eliminar ou mascarar o problema

Coordenadora do CEM afirma que a solução do problema depende de onde será colocado o parâmetro de pobreza

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A Organização das Nações Unidas (ONU) tem uma lista com 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que devem ser cumpridos até 2030. O Jornal da USP no Ar apresenta, no quadro UrbanSus, com o professor Marcos Buckeridge, do Instituto de Estudos Avançados, uma série que analisa cada um dos objetivos. O primeiro deles é a erradicação da pobreza, que é um dos principais problemas no mundo atual, sendo que, só no Brasil, mais de 52 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza.

Mas o que significa ser pobre? A professora Marta Arretche, do Departamento de Ciências Políticas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e coordenadora do Centro de Estudos da Metrópole (CEM) da USP, conversou conosco e explicou que “a pobreza não tem um valor absoluto. Se convenciona que abaixo de um determinado patamar, as pessoas estão vivendo em situação de pobreza ou de extrema pobreza”. No Brasil, esse limiar é o salário mínimo, ou seja, as famílias que vivem com renda per capita abaixo do valor de meio salário mínimo são consideradas em situação de pobreza, e as que vivem com renda abaixo de um quarto de salário mínimo estão em situação de extrema pobreza.

Foto: Roosewelt Lins via Flickr – CC

Marta explica ainda que há diferença no contexto em que o indivíduo vive, pois em um contexto rural, em que se pode produzir o próprio alimento, a renda de um salário mínimo tem um valor real muito maior, se comparado ao contexto urbano. Ela aponta que essa variação do valor real do salário mínimo vale, também, para a relação entre São Paulo e uma cidade do interior, por exemplo.

A cientista política lembra ainda que o combate à pobreza depende muito de como se estabelecem os parâmetros. “Uma família pode receber até R$ 372,00, com o benefício do Bolsa Família, então ela estaria acima de onde a ONU colocou o parâmetro, mas ela tem condição de levar uma vida digna numa cidade como São Paulo?”

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

 

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