Hanseníase tem cura, mas número de casos da doença no Brasil ainda é alto

João Avancini, dermatologista do HC-FMUSP, afirma que, ao ano, cerca de 30 mil casos são diagnosticados no País

De acordo com o Ministério da Saúde, a hanseníase é uma doença que teve aumento no número de casos de 2016 a 2018, após dez anos de quedas. Nesse período, o crescimento foi de cerca de 14%. Em 2018, foram registrados no País quase 30 mil casos da doença, sendo o Centro-Oeste a região mais infectada, com 41% do total apurado. No último levantamento feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil ficou no segundo lugar mundial em registros da doença, ficando atrás apenas da Índia.

Os sintomas mais frequentes da doença são as manchas esbranquiçadas, às vezes vermelhas ou marrons, que aparecem em qualquer parte do corpo. As regiões mais comuns são aquelas mais frias, como as extremidades, joelhos, cotovelos e orelhas. 

As manchas são acompanhadas pela perda da sensibilidade térmica, tátil e dolorosa. Assim, é comum que pacientes com essa doença não consigam perceber que se cortaram ou sofreram queimaduras. Outros sintomas são menos específicos, mas também aparecem, como diminuição da força e áreas de pele mais seca, com falta de suor e com perda de pelos, principalmente, nas sobrancelhas.

O bacilo de Hansen pode ser adquirido pela convivência prolongada com pacientes que já tenham a bactéria na forma multibacilar. Mas, é importante dizer que é preciso que o paciente também seja suscetível à doença: é preciso também que ele tenha compatibilidade genética para ela.

Outro ponto que precisa ser lembrado é que os pacientes que já estão em tratamento não transmitem mais a doença para as outras. Ainda não existe uma vacina que consiga prevenir a hanseníase. Mas ela é uma doença que tem cura e o tratamento é oferecido gratuitamente pelas Unidades Básicas de Saúde. 

O dermatologista do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM) da USP, João Avancini, alerta para a importância dos exames de contato, feitos com familiares e amigos próximos, para que a doença seja tratada logo nos primeiros estágios. Ele também comenta sobre as causas que fazem com que o Brasil esteja em uma posição preocupante no ranking mundial da doença.

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