Ferrovias: o descaso no transporte de pessoas ou cargas

A paralisação de caminhoneiros mostra a dependência do transporte rodoviário para insumos e commodities

A professora Raquel Rolnik, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, explica, na coluna Cidade para Todos, porque a malha ferroviária é uma alternativa mais rápida e econômica para o transporte de mercadorias e passageiros, e por que está à mercê de empresas concessionárias.

“Com essa crise, ficou claro o quanto a matriz rodoviarista, com tudo o que ela implica, com o uso de combustível fóssil, estrutura toda a nossa circulação e toda a organização urbana”. Ela destaca a inexistência de uma opção rodoviária, mesmo na área metropolitana. “Temos metro, a rede da CPTM que vai avançando devagar, mas não decola, no sentido de efetivamente apresentar uma opção para podermos nos deslocar não apenas na região metropolitana, mas também para ir ao interior, litoral, montanhas, que é um caos nas idas e voltas dos feriados.”

A colunista explica por que a malha ferroviária não se expande no Estado de São Paulo. “O Governo do Estado de São Paulo anunciou, desde 2010, o tal do trem intercidades, que ia ser inaugurado em dois anos e que faz todo o sentido conseguir ir de trem até Campinas, Sorocaba, São José dos Campos, Santos, e as melhorias no próprio sistema da CPTM, no entanto isso não saiu do papel.”

O que se privatizou foi o transporte de carga e, segundo Raquel Rolnik, a CPTM não consegue melhorar o desempenho dela na região metropolitana, porque tem que compartilhar trilhos que atravessam a região metropolitana com o transporte de carga. Outro projeto que não saiu do papel é o Ferroanel, que previa melhorar essa situação.

Ouça, no link acima, a íntegra do programa.

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