Países devem se preparar e garantir insumos para vacinação contra a covid-19

Especialistas alertam para uma possível escassez de insumos para vacinação contra a doença, como seringas e equipamentos de proteção individual

 21/09/2020 - Publicado há 1 ano  Atualizado: 25/09/2020 as 10:53
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Para garantir que a vacinação contra a covid-19 tenha largo alcance, há uma série de etapas a serem seguidas e insumos necessários para que a imunização ocorra. Recentemente, a União Europeia alertou os países membros sobre uma possível escassez de insumos para vacinação contra a covid-19, como seringas e equipamentos de proteção individual, e recomendou que os estados realizem compras conjuntas e se preparem para quando as vacinas começarem a ser comercializadas. Segundo a Organização Mundial da Saúde, no mundo há cerca de 25 vacinas em fase de testes, seis delas na fase 3, que é quando se utiliza uma larga amostragem de voluntários. No Brasil, há quatro potenciais vacinas contra a covid-19 sendo testadas.

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Segundo o professor Valdes Roberto Bollela, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, para que a vacinação ocorra é preciso que os países garantam os insumos, como seringas, EPIs, rede de frios – que são uma espécie de geladeira para manter as vacinas em temperatura controlada – e logística funcional para a aplicação das doses: “Se qualquer uma dessas etapas não estiver garantida, há o risco de não conseguir fazer a aplicação das vacinas. De qualquer modo, se isso já está sendo detectado agora, é possível que as ações sejam feitas para que não haja falta de insumos, nem para vacina da covid-19 nem para qualquer outra”.

A professora Ana Paula Sayuri Sato, do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP, reitera a importância do planejamento garantir a inoculação da vacina quando for comercializada. É preciso ter recursos humanos suficientes para aplicação das doses e também estratégia para selecionar os grupos prioritários para receber a vacina: “O programa de imunizações deverá organizar estratégias de como será essa ação, então quais são os grupos que serão primeiro contemplados pela vacina e como será a aplicação em outros grupos populacionais. Em relação aos recursos humanos, provavelmente essa vacinação em massa demandará um reforço importante das equipes de saúde para vacinação, sendo um aspecto que deverá compor o planejamento”.

Contudo, apesar da abrangência da inoculação de vacinas no Brasil, segundo dados de 2019 do Programa Nacional de Imunizações analisados pela Folha de S. Paulo, houve queda na cobertura vacinal no País nos últimos cinco anos. A redução chega a 27%. A professora Ana Paula informa que as ações de isolamento social causaram uma queda expressiva do comparecimento aos serviços de saúde no Brasil, o que é preocupante, porque aumenta a suscetibilidade das pessoas a doenças imunopreveníveis. “Isso é muito preocupante, pois pode dar margem para o ressurgimento dessas doenças. É preciso lembrar que atualmente nós temos um número elevado de casos de sarampo no Brasil” e complementa: “É importante a retomada das coberturas vacinais infantis, pensando até no momento de retorno às atividades presenciais das escolas. Quando forem iniciadas vacinações contra a covid-19, as equipes de vacinação deverão estar fortalecidas no sentido de manter a vacinação de rotina nas unidades de saúde”.

Apesar da preocupação com uma possível falta de insumos no mundo, o professor Bollela acredita que, pela abrangência, o Brasil deverá ter facilidade para incorporar a vacinação contra a covid-19 no Programa Nacional de Imunizações. “O programa de vacinas do Brasil é exemplar e isso torna a condição do País muito boa para poder incorporar qualquer tipo de vacina. É uma vantagem por tudo que foi construído dentro do Sistema Único de Saúde, no Programa Nacional de Imunizações que é vigente no País.”

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