Evolução das astrofotografias tem auxiliado no avanço das pesquisas espaciais

Informações e dados são possíveis retirar a partir de uma única fotografia do espaço. O professor Roberto Dias da Costa também fala sobre a possibilidade de mapeamento de exoplanetas com potencial de abrigar vida

 08/08/2022 - Publicado há 2 meses
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Foto: Divulgação/Nasa

As imagens recém-divulgadas e obtidas pelo telescópio espacial James Webb alteraram o curso da astrofotografia e abrem espaço para a discussão sobre o uso dessas fotos. Há mais de 60 anos, os avanços na evolução da captação de imagens espaciais, no solo ou em órbita, têm permitido o descobrimento de novos corpos celestes e galáxias inteiras, o que incentiva pesquisas no campo da astrofísica e da astronomia.

Roberto Dias da Costa – Foto: Reprodução/Lattes

O professor Roberto Dias da Costa, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo, explica que as fotografias servem como meio para análises de características morfológicas dos corpos, como a temperatura e a composição da atmosfera e solo do planeta. Por terem revelado detalhes sobre a dinâmica espacial, também é possível aprofundar pesquisas sobre evolução estelar e das galáxias: “Então, existe uma quantidade grande de resultados que vão sair agora nos próximos anos, por isso acho que a gente está no limiar de grandes descobertas muito importantes”.

Geralmente, as imagens são feitas a partir de telescópios, que podem ser terrestres ou espaciais. Elas dependem de chips, espelhos mais sofisticados, filtros de luz e cor e também de softwares, para o processamento delas, mas fatores ambientais como uma boa condição de visibilidade do céu podem ajudar em muito o processo de captação.

No macro, a astrofotografia demanda conhecimentos interdisciplinares, sendo necessários conhecimentos de astronomia básica, além de manejo de câmera e de equipamentos técnicos. Porém, o professor ressalta que para a obtenção de imagens a partir de telescópios espaciais é preciso investimento de peso.

Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

 

No que diz respeito ao telescópio espacial James Webb, que revelou as imagens mais atuais do espaço, o professor ressalta que o processo de captação das fotos não foi o maior desafio: “O problema é colocar um telescópio profissional no espaço, o [Webb] teve um tempo muito grande de maturação do projeto, então aí é que está o problema, o grande custo em construir um telescópio, levar o telescópio lá para cima e operar o telescópio”.

Importância da astrofotografia 

A importância reside justamente na captação de imagens tão caras para a humanidade. Em termos de ciência, a astrofotografia tem ditado grandes avanços em um curto período de tempo. Em um exemplo concreto, Costa ressalta que, desde o primeiro exoplaneta descoberto em 1990 para cá, mais de 5.200 planetas desse tipo foram catalogados.

Isso representa uma gama de possibilidades de encontrar atmosferas propícias para a vida, que é possível observar a partir dessas fotografias: “Elas demonstram que a atmosfera de um planeta em particular tem água, e água é um dos ingredientes fundamentais para a vida”.


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