Esgoto liberado na natureza equivale a milhares de piscinas olímpicas

Desde 1º de janeiro deste ano, mais de um 1,5 milhão de piscinas olímpicas cheias de esgoto foram lançadas no meio ambiente em todo o País

No País, segundo o Instituto Trata Brasil, o número de esgoto in natura, ou seja, sem tratamento, que é liberado na natureza diariamente, equivale a 5.650 piscinas olímpicas. Assim, desde 1º de janeiro deste ano, mais de um 1,5 milhão de piscinas olímpicas cheias de esgoto foram lançadas no meio ambiente em todo o Brasil. 

Isso significa um atraso em mais de 30 anos no que se refere à coleta e tratamento de esgoto, com cerca de 100 milhões de brasileiros sem acesso a esse serviço. Esse atraso chega a 50 anos quando se fala em universalização do saneamento básico, que inclui acesso à água tratada, coleta e tratamento de esgoto e resíduos sólidos ou lixo e drenagem de águas pluviais.

Quem fala sobre esses dados é a professora Sonia Valle Walter Borges de Oliveira, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP. A professora é especialista em Gestão Ambiental e é a atual secretária municipal do Meio Ambiente.

Essa defasagem na universalização do saneamento básico tem diversos fatores, explica a professora, e as dificuldades se acentuam quando observadas em cada um dos municípios brasileiros. Franca e Santos, no Estado de São Paulo, lideram o ranking nacional de acesso à água e coleta e tratamento de esgoto e Piracicaba, Ribeirão Preto e Bauru figuram na relação dos 100 municípios do País com melhor oferta desses serviços. Mas o Brasil possui 5.570 municípios, lembra Sonia.

Segundo o IBGE, 289 mil pessoas foram internadas por diarreia e outras doenças decorrentes da falta de saneamento no Brasil em 2017, sendo 50% só de crianças com até cinco anos de idade. Já a Fundação Getúlio Vargas afirma que, para o Brasil entrar no rol dos países com universalização de saneamento adequada, seriam necessários investimentos de R$ 470 bilhões nos próximos 20 anos. 

Isso poderia levar o País a ganhar R$ 1 trilhão no mesmo período. Para isso, “infelizmente vai ter que ir para uma privatização mesmo, porque senão o município não dá conta, pelas suas arrecadações, de realmente arcar com todos esses custos”, afirma a professora.   

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