Efeitos da pandemia em crianças e adolescentes preocupam especialistas

Um evento na USP discutirá estratégias e abordagens de tratamento para enfrentar essa situação, que ainda persiste, como lembra Guilherme Polanczyk

 01/12/2020 - Publicado há 10 meses

O Jornal da USP no Ar recebeu hoje (1°) Guilherme Polanczyk, professor associado do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina (FM) da USP, para apresentar o III Simpósio do Serviço de Psiquiatria da Infância e da Adolescência (Sepia), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC), durante o qual serão debatidos, por pesquisadores e especialistas, os efeitos da pandemia no comportamento de crianças e adolescentes. 

Ele explica que, em relação aos especialistas, a preocupação com crianças e adolescentes se manifesta tanto do ponto de vista teórico quanto do clínico. “Preocupamo-nos de verdade, especialmente porque problemas emocionais em crianças e adolescentes precedem os dos adultos”, aponta Polanczyk. 

Já os efeitos da pandemia e da quarentena nas crianças e nos adolescentes se manifestam de formas diversas, porque esses grupos estão em momentos diferentes da vida e da sua própria construção como indivíduo. No caso dos jovens e adolescentes, é no grupo social, na convivência com os amigos, que o desenvolvimento da identidade acontece. “Por isso, vemos adolescentes sofrendo bastante, apesar de vermos também muitos não ligando para esse quadro. Há situações mais dramáticas”, diz ele. 

No caso das crianças, Polanczyk explica que os amigos também são importantes, mas essa falta a própria família consegue suprir. Para elas, outras questões pesam mais, como o confinamento e preocupações sobre o que acontece no mundo – o que, para elas, não é muito claro. “Principalmente aquelas que têm pais passando por mais estresse e ansiedade, ou ainda em um nível socioeconômico menor, tendem a sofrer mais com isso.”

“No evento, buscaremos discutir estratégias e abordagens de tratamento para enfrentar essa situação, que é ainda mais diversa na medida em que se trata de um estressor ainda em andamento, o qual não temos como mudar. Podemos pensar em formas dos próprios jovens enxergarem-na, mas não podemos prever o que vai acontecer. Por isso, é um trabalho conjunto: precisamos tolerar a incerteza e a imprevisibilidade”, conclui Polanczyk. O simpósio acontece de forma on-line nos dias 4 e 5 de dezembro, sexta-feira e sábado. As inscrições ainda estão abertas e o evento é aberto a profissionais e população em geral. 


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