Colunista fala sobre avaliar alfabetização de crianças por amostra

É preciso muito cuidado ao definir os critérios que tornam uma amostra representativa, diz Renato Janine

Nesta semana, o colunista Renato Janine Ribeiro comenta a decisão do governo federal de avaliar a alfabetização de crianças por amostras. O professor lembra que, nas edições anteriores, essa avaliação foi feita de modo universal. “Quando você passa pela avaliação por amostra, isso traz uma economia. Mas é preciso muito cuidado e ver se essa economia vale a pena. É preciso também definir muito claramente como uma amostra se torna representativa. Isso não é simples, não basta dizer que tem tantos por município, por estado. Precisa entrar renda, sexo, cor, tamanho da cidade, é muita coisa”, comenta o professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

O colunista lembra ainda que a série histórica indica o tamanho do problema. Apesar de todo o esforço da União Federal, desde 2013, quando foi criado o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa – inspirado por uma iniciativa cearense que fez um programa estadual, – o que se viu foi um avanço muito maior do Ceará comparado ao restante do Brasil.

Segundo Janine, alfabetizar é ensinar a ler, a escrever e também a fazer conta. Para fazer isso, o Ceará investiu muito na formação de professores alfabetizadores e muito material escolar, e isso foi muito positivo para o estado cearense, mas não no restante do Brasil.

“Mas de qualquer forma, isso tudo tem de ser desenvolvido. Para fazer isso bem, precisamos de um termômetro e o melhor deles é aquele que vai cobrir tudo. Sem um bom termômetro, a amostragem pode ser infeliz. E por que me preocupa que uma amostragem seja eventualmente equivocada? Porque o Brasil mudou muito nos últimos anos e as pesquisas de realidade de opinião feitas 10 ou 15 anos atrás podem não corresponder mais à atualidade”, aponta.

Ouça, no link acima, o áudio completo da coluna Ética e Política.

 

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