Carola Rackete, uma corsária a serviço dos direitos humanos

A professora Marília comenta, em sua coluna, a ação da capitã do navio que resgatou do mar 40 migrantes

Vilã ou heroína ? Os dois termos estão sendo usados para definir a ação da capitã do navio que resgatou 40 migrantes no Mediterrâneo, a alemã Carola Rackete, que conseguiu desembarcar seus passageiros, sãos e salvos, na ilha de Lampedusa. Isso não a livrou, porém, da prisão, mas três dias depois foi julgada, considerada inocente e libertada. Ocorre, no entanto, que a organização à qual Carola é ligada a removeu para um lugar desconhecido, a fim de protegê-la das inúmeras ameaças de morte que partiram da extrema-direita. Do que se conclui que a boçalidade não é privilégio de um só país.

Segundo Marília Fiorillo, a polêmica envolvendo Carola expõe a divisão na comunidade europeia, opondo uma Itália xenófoba às políticas migratórias de Alemanha e França. “E, acima de tudo, o contínuo fracasso da União Europeia em adotar uma estratégia coerente sobre migração.” Quanto aos 40 refugiados, serão transferidos para França, Alemanha, Finlândia ou Portugal. Para estes, um final feliz, mas episódios de violência contra migrantes continuam acontecendo, como o recente bombardeamento do Centro de Detenção de Refugiados, na Líbia. O que parece ser ignorado é que o problema dos refugiados veio para ficar.

Seja como for, a Carola Rackete – que mudou a rota do material humano, tirando-do do fundo do mar e transferindo-o para a terra firme – parece caber mais o epíteto de corsária, “uma legítima corsária sob a bandeira da comunidade dos direitos humanos”, como diz a colunista.

Acompanhe, pelo link acima, a íntegra da coluna Conflito e Diálogo. 


Conflito e Diálogo
A coluna Conflito e Diálogo, com a professora Marília Fiorillo, vai ao ar toda sexta-feira às 10h50, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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