Avaliação otimista sobre melhora dos níveis dos reservatórios é prematura, diz especialista

Pedro Luiz Côrtes avalia que o início da primavera trouxe uma sensação de normalização das chuvas e superação da estiagem, mas a transição para o verão pode revelar, na verdade, chuvas abaixo da média

 15/10/2021 - Publicado há 1 mês
O nível atual do sistema Cantareira caiu 1,7% nas primeiras semanas de outubro – Foto: Wikimedia Commons

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou, na última reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), estudos que indicam um cenário mais otimista para os reservatórios de água. De acordo com a ONS, o aumento de chuvas pelo País, especialmente na região Sul, já refletiu positivamente nos reservatórios, visto que o volume armazenado de energia no mês de setembro em 24,1% foi superior ao de agosto, com dois pontos percentuais a mais. Pedro Luiz Côrtes, professor da Escola de Comunicações e Artes e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental, do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo, comenta sobre as especulações otimistas do órgão ao Jornal da USP no Ar 1° Edição.

Côrtes avalia que o início da primavera trouxe uma sensação de que as chuvas se normalizaram e a estiagem seria superada, mas que durante a transição para o verão essa impressão demonstra, na verdade, chuvas abaixo da média. “A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), dos EUA, informou que estamos diante de um novo La Niña de média intensidade, com duração entre o verão e o início do outono”, comenta Côrtes, ao destacar que haverá diminuição das chuvas, principalmente com a aproximação do verão e com o La Niña, que gera estiagem na região Sul do País e com repercussão em São Paulo.

A melhoria dos reservatórios já era esperada, porém, ainda é uma situação crítica e será difícil revertê-la. “O sistema Cantareira levou dois períodos de primavera e verão e vários meses de El Ninõ para que voltasse a uma situação próxima à normalidade, em março de 2016”, exemplifica Côrtes. Na avaliação dele, não são somente as chuvas que resolvem a situação hídrica atual e é prematura a avaliação do ONS, mesmo com os alertas do órgão.

Côrtes ainda alerta sobre o nível do sistema Cantareira atual, que caiu 1,7% nas primeiras semanas de outubro. “Ontem (14), o volume do reservatório era de 28,4%, o mais baixo desde março de 2016”, ressalta. Ele ainda complementa que uma das novidades é a autorização da retomada da transposição de água do Rio Paraíba do Sul para o Cantareira, de modo que reforce o sistema com um volume mensal de dois terços, de acordo com o solicitado pela Sabesp.


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