Destruição causada pela microexplosão nas instalações do campus Pirassununga - Foto: Divulgação/FZEA USP

Temporal causa destruição no campus da USP em Pirassununga

Árvores e postes foram derrubados, prédios destelhados e salas inundadas. Não há internet e energia elétrica ainda é parcial

 15/10/2021 - Publicado há 2 meses  Atualizado: 17/10/2021 as 13:24

Luiz Prado

O temporal que arrasou a cidade de Pirassununga no sábado passado, dia 9 de outubro, deixou estragos também no campus Fernando Costa da USP, onde se localiza a Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) e parte da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ).

Árvores, postes e placas de sinalização foram derrubados, vias ficaram obstruídas, telhados foram destruídos, houve desabamento de forros, inundação de salas e comprometimento de equipamentos e documentos. Pelo menos três animais morreram. O fenômeno atmosférico responsável pela destruição, parecido com um tornado, é conhecido como microexplosão.

Desde sábado, o campus está parcialmente sem energia e não há conexão de internet, devido à destruição da rede elétrica. De acordo com o prefeito do campus, professor Arlindo Saran Netto, mais de 40 postes de rede de alta e média tensão foram derrubados e precisarão ser substituídos.

“Isso afeta toda a parte de lógica e rede do campus”, declara Netto. “Ficamos sem internet e com uma situação complicada tanto para os procedimentos administrativos quanto para questões didáticas e de pesquisa”. Em caráter emergencial, parte da energia foi reestabelecida no início do campus, onde se localizam alguns dos departamentos da FZEA e instalações da FMVZ. Grande parte das vias já foi desobstruída, mas ainda há muitos destroços às margens do asfalto.

Segundo o professor Carlos Eduardo Ambrósio, diretor da FZEA, foram feitos contratos emergenciais com empresas terceirizadas para acelerar os reparos. Espera-se que até segunda-feira (18/10) a rede elétrica seja reestabelecida no Prédio Central, onde se localiza a diretoria da unidade, a prefeitura do campus, o alojamento estudantil e o refeitório.

Postes derrubados pela microexplosão no campus Pirassununga - Foto: Divulgação/FZEA USP

De acordo com Ambrósio, o destelhamento e a queda de árvores sobre muitos edifícios fez com que a chuva atingisse computadores, mobiliário, máquinas e documentos. O Prédio Central é uma das instalações que contabiliza danos graves. “A sala do Serviço de Graduação e a sala da Congregação foram destruídas”, conta o diretor. Nas instalações da prefeitura, no mesmo prédio, a queda do forro e a entrada da água da chuva destruiram diversos processos administrativos.

Parte do alojamento estudantil foi destelhada e também houve queda do forro. Ninguém ficou ferido, e a Guarda Universitária esteve no local ainda ano sábado. Netto visitou os estudantes no domingo pela manhã, e precisou entrar no campus de motocicleta, já que a circulação de carros estava inviabilizada pela queda das árvores e dos postes.

Estragos em salas e documentos do campus Pirassununga - Foto: Divulgação/FZEA USP

Telhados destruídos nas instalações do campus Pirassununga - Foto: Divulgação/FZEA USP

Aulas suspensas

Dada a calamidade, que se estende por toda Pirassununga, as aulas da FZEA foram suspensas essa semana. “Além do comprometimento da unidade, há problemas em muitas casas. A logística dos professores e funcionários em home office está comprometida. Existem locais ainda sem energia e sem internet”, conta Ambrósio.

Uma parcela dos estudantes que depende da moradia voltou para suas casas e, segundo o prefeito, receberá auxílio financeiro. Aqueles que permanecem no campus estão recebendo marmitas de empresas contratadas, graças ao apoio da Superintendência de Assistência Social (SAS) da USP, dado que o refeitório administrado pela prefeitura do campus está fechado.

Outras estruturas do campus também foram castigadas, como casas de funcionários, setores ligados à criação animal e o abatedouro. Pelo menos três bezerros morreram, em virtude do desabamento de alguns eucaliptos. Outros animais ficaram presos em galhos de árvores tombadas e precisaram ser resgatados.

Na FMVZ, a estimativa inicial dos prejuízos corresponde a 2 milhões de reais, segundo o professor José Soares Ferreira Neto, diretor da unidade. Os principais estragos foram nos telhados, forros e parte elétrica, incluindo danos nos pisos, estruturas metálicas de sustentação e alambrados dos setores de criação de animais.

O único setor com energia elétrica na unidade é o Centro de Apoio ao Ensino e Pesquisa (CAEP), para onde foram levadas as amostras biológicas dos pesquisadores, que corriam risco de serem perdidas sem a refrigeração adequada. Cerca de 50 freezers foram movidos para o espaço e a rede elétrica precisou ser modificada para suportar a nova demanda energética.

As maiores perdas contabilizadas, segundo os três dirigentes, são na parte elétrica e em infraestrutura. Da mesma forma que na FMVZ, equipamentos laboratoriais e materiais de pesquisa conseguiram ser salvos na FZEA graças aos esforços de funcionários e docentes.

Árvores e postes derrubados no campus Pirassununga - Foto: Divulgação/FZEA USP

“No momento em que acabou a energia nós acionamos as pessoas para salvar o material das geladeiras e freezers, houve um mutirão”, conta Ambrósio. “Temos ambientes com gerador funcionando, então, o primeiro passo foi salvaguardar os geradores e manter o diesel funcional. E com isso as amostras foram deslocadas. Mas, claro, haverá perdas. Alguns ambientes foram destruídos, houve bastante complicações”.

Salas de aula, banheiros e blocos didáticos afetados pela microexplosão - Foto: Divulgação/FZEA USP

Estragos causados pela tempestade no campus Pirassununga - Foto: Divulgação/FZEA USP

Comunidade unida

Todos os dirigentes salientam o empenho da comunidade para tentar preservar os equipamentos e estruturas atingidas pelas chuvas. Segundo o diretor da FZEA, na segunda-feira uma equipe de funcionários tratou de resgatar equipamentos, cobrindo com plásticos e lonas o que não poderia ser deslocado e transportando para outros setores ou mesmo para a própria casa o que fosse possível.

“É impressionante o quanto a comunidade, os funcionários, se juntaram para limpar e organizar o ambiente após a tempestade, mesmo com as suas casas atingidas”, declara Ambrósio. Netto também pontua o engajamento das pessoas das três unidades nesse momento. “A união daqueles que estão tentando ajudar na limpeza e na remoção dos entulhos mostra o amor que as pessoas têm pelo campus”.

“Houve uma atmosfera de enorme cooperação entre todo mundo”, concorda Soares, que atribui parte desse movimento a outro desastre recente enfrentado pelo campus: o incêndio que destruiu parcialmente sua vegetação em agosto deste ano. “Isso sensibilizou muito as pessoas e quando veio essa nova tragédia, das águas e dos ventos, essa atmosfera se fez muito presente”.

Agora, de acordo com Ambrósio, o campus precisa de apoio financeiro para se reestruturar. Tanto a prefeitura quanto a FZEA e FMVZ estão finalizando o levantamento dos gastos. Assim que a rede elétrica for reestabelecida, os próximos passos são reativar a rede de dados e iniciar a reposição dos telhados. Em seguida virá a restauração das instalações internas.

O prefeito destaca o suporte fundamental que o campus vem recebendo dos órgãos da administração central da universidade, sobretudo na busca por apoio jurídico e financeiro para a crise. O diretor da FMVZ também elogia esse apoio. “Evidentemente, nós precisamos recorrer a reitoria e a Coordenadoria de Administração Geral (Codage), porque o montante de recursos dos quais precisamos para recuperar as estruturas não está disponível em nossas caixas”, explica Soares. “Mas eles estão muito sensíveis a isso e acho que vão fazer todo o possível para termos nossos próprios restaurados”.

Vídeo do momento da tempestade - Divulgação/FZEA USP

Em meio a esse desastre, funcionários, professores e estudantes do campus reúnem energias para reorganizar a vida profissional e acadêmica. “Nós temos que ter força de vontade e estrutura física e emocional para colocar a unidade para funcionar”, observa Ambrósio, que assumiu a diretoria da FZEA em 15 de agosto e já passou por um incêndio, o retorno ao trabalho presencial e agora contabiliza os estragos de uma tempestade vinda às vésperas do dia da padroeira do Brasil. “Foi um feriado atípico para quem esteve no campus trabalhando em sua recuperação”, comenta.


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