Com chuvas insuficientes, abastecimento das hidrelétricas ficará prejudicado

Professor Pedro Luiz Côrtes analisa causa e consequência da crise e indica futuro ainda mais preocupante

 Publicado: 01/10/2021
Com uma redução de 18% em seus níveis durante setembro, a previsão é que o sistema Cantareira ainda possa sofrer novas e mais graves perdas antes do fim do ano – Foto: Wikimedia Commons

O sistema Cantareira está com o seu menor volume de armazenamento desde março de 2016. Ele funciona em estado de alerta desde agosto deste ano, quando seu volume oscilou entre 30% e 39%. O baixo nível de chuvas indica um caminho de gravidade ainda maior para os próximos meses, o que exige, além de mais economia por parte da população, revisões na gestão da água.

“Estamos em uma situação preocupante”, analisa o professor Pedro Luiz Côrtes, do Instituto de Energia e Ambiente da USP, lembrando dos níveis abaixo da média em reservatórios de São Paulo. O alerta aparece em outros sistemas, além do Cantareira. No Alto Tietê, as chuvas estiveram em somente 22% do previsto. Em Guarapiranga, o indicador esteve em 9%. A crise hídrica avança até o interior do Estado, em locais que já usam o racionamento de água. 

O sistema de abastecimento em São Paulo tornou-se mais interligado. “O próprio Cantareira tem tido uma gestão mais racional. À medida que o seu nível vai baixando, nós reduzimos a retirada de água desse sistema ”, relata o professor. Apesar disso, em comparação com 2013, estamos usando 21% menos água.

Com uma redução de 18% em seus níveis durante setembro, a previsão é que o sistema Cantareira ainda possa sofrer novas e mais graves perdas antes do fim do ano. Para se ter uma ideia, a cada cinco dias, o nível de abastecimento reduz em cerca de 1%. “Nós não teremos chuvas suficientes para reverter essa situação”, afirma o professor, considerando o prognóstico da primavera e verão de 2021, o que prejudicará o abastecimento de hidrelétricas.

A crise hídrica coloca em xeque a privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). O professor Côrtes enxerga que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que recebeu a nota indicando essa possibilidade pela Sabesp, deveria se preocupar com o combate à crise, tendo em vista seus impactos nas receitas de empresas. O acionamento do Ministério Público também deveria entrar no radar.


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