Agricultura deve ser aliada do ecossistema e não inimiga, diz especialista

Especialista afirma que a produção de alimentos deve se adaptar ao ecossistema para minimizar impacto ambiental

Agricultura – Foto: Visual Hunt

O programa Ambiente É o Meio desta semana traz entrevista com o engenheiro agrônomo Luís Fernando Guedes Pinto, do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), que fala sobre a agricultura tropical e sua relação com a preservação da biodiversidade ecológica.

O pesquisador afirma que o equilíbrio da produção agrícola está totalmente ligado à biodiversidade e, por isso, defende a diversificação genética das lavouras, pois cada plantação depende de condições específicas de solo e de clima para se desenvolver. “Nos trópicos deveríamos ter uma agricultura com alto grau de diversidade. Isso diminui o risco da perda de lavouras, porque as plantas não são idênticas, além de não florescerem todas no mesmo dia. Algumas podem possuir resistência maior à seca, outras podem ser resistentes a determinado fungo ou bactéria e não ficar doentes.”

O engenheiro associa as variações do clima à Revolução Verde e afirma que o processo, que aconteceu entre os anos 60 e 70 do século passado, transportou a produção agrícola do processo biológico para o industrial, predominando as monoculturas, a mecanização e o uso intensivo de energias e de agrotóxicos como forma de controle de pragas e doenças. “Ao invés de usá-los a nosso favor, matamos. A consequência dessa revolução é a diminuição da diversidade e o aumento do risco. Porém, com o aumento das alterações climáticas, percebemos que essa é uma rota que está no seu limite, a cada vez precisamos usar mais máquinas, mais energia e mais agrotóxicos para tentar controlar a natureza.”

Para o engenheiro, não há nada nos âmbitos científico e tecnológico que impeça a adaptação da agricultura tropical à diversidade dos ecossistemas. “Não há nenhuma barreira científica ou tecnológica, já conhecemos tudo isso. Para termos uma cultura tropical, dependemos apenas de vontade. Isso não exige nenhuma revolução científica, basta apenas direcionar a ciência e a tecnologia como aliadas da produção e não como inimigas”. Guedes Pinto afirma que essa mudança só acontecerá a partir da conscientização e da cobrança feita pelo cidadão nas ruas, a partir do voto e da consciência dos produtos que são comprados no supermercado.

Ambiente É o Meio é uma produção da Rádio USP Ribeirão Preto em parceria com professores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP e Programa USP Recicla da Superintendência de Gestão Ambiental (SGA) da USP.

Sintonize Ambiente É o Meio em 107,9 MHz na Rádio USP Ribeirão ou em 93,7 MHz na Rádio USP São Paulo todas as quartas-feiras, a partir das 13 horas. Reprise aos domingos, às 17h30, nas duas emissoras.

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