Tentativa de atrapalhar Lava Jato pode custar caro para senadores

Renan Calheiros, Romero Jucá e José Sarney são acusados de tentar atrapalhar a Lava Jato

Por - Editorias: Atualidades, Rádio USP
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Ouça a íntegra da entrevista com o professor Nuno Coimbra Mesquita, do NUPPs (Núcleo de Pesquisas em Políticas Públicas da USP):

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Fecha-se o cerco em torno dos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Romero Jucá (PMDB-RR),  ex-presidente José Sarney (PMDB) e também do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Acusados de tentar atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato, deverão responder a inquérito, cujo pedido foi feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF).

No ano passado, Janot chegou a pedir a prisão de Renan, Sarney e Jucá por tentativa de embaraçar a apuração sobre corrupção na Petrobras; mas, na época, o então relator da Lava Jato, Teori Zavascki, morto em acidente aéreo no mês passado, rejeitou o pedido, o qual tem como base seis horas de conversas gravadas por Sérgio Machado com os outros três envolvidos no caso. O atual pedido deverá ser analisado pelo novo relator da Lava Jato, ministro Edson Fachin.

Plenário do Senado - Foto: Senado Federal via Visual Hunt
Plenário do Senado – Foto: Senado Federal via Visual Hunt

Em entrevista à Rádio USP, o pesquisador e cientista político Nuno Coimbra Mesquita, do Núcleo de Pesquisas em Políticas Públicas da USP (NUPPs), considera que há indícios para a retomada das investigações. Os acusados teriam se valido de “mecanismos institucionais para embaraçar as investigações”, manobras cujo objetivo seria esvaziar os avanços da Operação Lava Jato em relação a políticos. Eles chegaram a solicitar uma anistia dos políticos acusados de corrupção e, ao mesmo tempo, validar as leis de esvaziamento da Lava Jato.

Ao comentar a indicação de Alexandre de Moraes para o STF, o cientista político da USP entende que o presidente Michel Temer cedeu a pressões de aliados, os quais, descontentes com a possível indicação de um nome puramente técnico, propuseram que a indicação fosse política, devido, sobretudo, ao contínuo aparecimento de políticos ligados à coalizão governamental nas investigações da Lava Jato. Tudo indica, portanto, que Temer acabou cedendo, na tentativa de “ter algum peso no momento das investigações”.

Nuno Coimbra Mesquita acredita, no entanto, que esse peso é muito relativo, uma vez que Alexandre de Moraes será apenas mais um entre os outros dez ministros da Corte. Além disso, o mais recente ministro do STF não vai assumir a relatoria da Lava Jato, tarefa que caberá  ao ministro Edson Fachin, que para isso foi indicado. Alexandre de Moraes deverá atuar como revisor do processo.

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