“Trabalhamos para que nos próximos 50 anos essa excelência seja ainda mais ampliada”

A superintendente do Centrinho fala sobre o foco da atual gestão e da importância da equipe que ajudou a construir a história do hospital

Por - Editorias: Universidade
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Professora Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado, superintendente do HRAC – Foto: arquivo HRAC/Centrinho

A professora Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado, atual superintendente do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) e diretora da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP, destaca, na entrevista a seguir, o que o hospital tem a comemorar nesses 50 anos, a importância de todos que trabalharam e os que constroem hoje a sua história, e as perspectivas para o futuro. Antes de ingressar na carreira acadêmica, a professora Maria Aparecida iniciou sua trajetória profissional no HRAC, atuando como odontopediatra entre 1984 e 1990.

O que representam esses 50 anos do HRAC/Centrinho? O que a instituição tem a comemorar, tanto pela sua história como pelo trabalho desenvolvido hoje na prestação de serviços, pesquisa e ensino?

Os 50 anos do HRAC-USP significam toda uma trajetória de sucesso de uma iniciativa do professor doutor José Alberto de Souza Freitas, o nosso querido Tio Gastão, que, enquanto professor da FOB-USP, soube motivar e enxergar uma perspectiva para poder proporcionar, ainda na década de 1960, uma possibilidade de reabilitação para pacientes com fissuras. E, a partir dali, de uma clínica, dentro da Faculdade de Odontologia de Bauru, e com a visão de um empreendedor, que é o Tio Gastão, o Centrinho se tornou uma referência mundial no tratamento, primeiro das fissuras, depois das síndromes e posteriormente das deficiências auditivas. Nesses 50 anos o Centrinho se estabeleceu como uma instituição respeitada.

Mais recentemente, mesmo com os percalços na economia que o Brasil vive nos últimos quatro anos, podemos dizer o HRAC não declinou na qualidade e na excelência daquilo que tem proporcionado aos seus milhares de pacientes que todos os dias estão aqui no nosso hospital.

E é por essa história de êxito que nós comemoramos esses 50 anos com o olhar já em um novo momento, em que o Centrinho tem grandes desafios. Trabalhamos para que nos próximos 50 anos essa excelência e qualidade sejam ainda mais ampliadas, trazendo várias novas perspectivas. A mais recente foi a nossa parceria com a ONG internacional Smile Train, que dará novas possibilidades inclusive de financiamento de projetos e até mesmo de tratamento de pacientes, para que nós possamos galgar outras etapas. Assim como essa, outras parcerias estão sendo buscadas para podermos continuar comemorando a história de êxito de um hospital que começou pequenininho e que hoje é reconhecido internacionalmente como o único que oferece um tratamento humanizado e diferenciado para aqueles que nos buscam com o objetivo de ter uma oportunidade de se reabilitar e se integrar à sociedade de uma maneira bastante adequada. Estamos trabalhando com afinco para que isso não se perca, para que isso se preserve e, mais do que isso, possa ser incrementado e melhorado todos os dias.

Qual a importância daqueles que já ajudaram e de todos que constroem hoje a história do HRAC?

Vale salientar aqueles que se dedicaram a construir essa história. Eu sempre digo que, para estar em uma posição de liderança, como é o caso do Centrinho, aqueles que nos antecederam trabalharam muito para que isso acontecesse. E essa história não pode se perder e não pode deixar de ser valorizada. Já mencionei o Tio Gastão, e há outros, como o professor Bernardo Vono e Luiz Ferreira Martins, que iniciaram e contribuíram com essa trajetória. Aqueles que ao longo dos anos fizeram também o dia a dia do hospital, como os professores Ruy César Camargo Abdo (profissional com quem muito aprendi e tenho profunda gratidão), Heli Brosco, Leopoldino Capelozza, Omar Gabriel. Todos aqueles que ao longo desses 50 anos ajudaram a construir essa trajetória têm que ser lembrados e valorizados todos os dias, e devem se orgulhar muito de tudo isso que foi construído!

Qual o objetivo e o foco principal do trabalho da atual gestão? E quais as perspectivas para o futuro da instituição?

Assumi o hospital em janeiro de 2016, em um momento bastante complexo da economia brasileira, com reflexo bem significativo na saúde pública, e o Centrinho depende de recursos do Sistema Único de Saúde, o SUS.

Juntamente com uma equipe de profissionais que atua há muitos anos no hospital – as doutoras Cleide Carrara, Irene Bachega, Giovana Brandão, Ana Almeida (também professora da FOB) e o doutor Ayrton Marques de Almeida –, delineamos um projeto para que esses desafios fossem vencidos. Nosso foco, primeiramente, foi estabelecer os protocolos do hospital (alguns ainda não tinham sido delineados) e trouxemos para dentro do Centrinho a Divisão de Saúde Auditiva (o que significou, além de otimização de gastos, uma integração dos serviços).

Mais do que isso, trabalhamos para viabilizar o Centrinho naquilo que ele faz. Hoje estamos trabalhando também para que haja regulação via Departamento Regional de Saúde (DRS 6), de modo que, em um futuro não muito distante, voltemos a atender os novos pacientes do Brasil inteiro, mas aí com o repasse dos recursos dos outros Estados para o Estado de São Paulo. Quando os recursos são menores, como atualmente, temos que fazer uma gestão para priorizar o atendimento dos pacientes da região da DRS 6, depois do Estado de São Paulo, já que os recursos são do nosso Estado. Assim, com essa regulação, uma de nossas metas é atender o Brasil todo, como sempre foi feito.

Outro desafio: temos aí um prédio de 22 mil metros quadrados que precisamos dar uma destinação. Estamos trabalhando arduamente e diuturnamente para que possamos viabilizar o prédio para a cidade, para o Estado e para o Brasil. E, também, para que o Centrinho possa ser o berço da Faculdade de Medicina da USP em Bauru. Estamos em tratativas ainda, mas, enquanto eu estiver à frente do hospital, à frente da FOB – e essa já foi a minha fala no dia em que assumi a gestão na FOB, em março de 2014 – eu estarei trabalhando incansavelmente para que isso seja viabilizado. E, claro, com a vinda da Faculdade de Medicina da USP para Bauru, muitas situações em que hoje temos dificuldade serão minimizadas, o que vai significar também um grande avanço para o hospital.

Não posso deixar de mencionar o professor Carlos Ferreira dos Santos, que tem sido meu fiel escudeiro, meu vice-diretor e meu substituto também no Centrinho, que em todos esses pleitos tem estado ao meu lado. E, em relação particularmente à Faculdade de Medicina, também menciono as forças políticas da cidade em que temos buscado apoio. Estamos unidos para que o benefício seja, além do hospital, do município, do Estado de São Paulo e do Brasil. É importante dizer que, juntamente comigo, que estou fortemente envolvida nisso e com muita energia e vontade para que a Medicina USP Bauru aconteça, essas outras pessoas e segmentos da sociedade também estão empenhados para que possamos trazer essas várias soluções para Bauru. Portanto, isso não é um trabalho individual, mas de várias pessoas que acreditam na força de trabalho do Campus USP Bauru e no melhor para nossa cidade.

Gostaria de destacar que mensagem ao público do HRAC neste aniversário?

Gostaria de deixar uma mensagem de otimismo para os próximos 50 anos. Hoje estou à frente do hospital. Espero que um dia, quando alguém me substituir, receba o hospital de uma maneira muito tranquila e que possa fazer uma gestão de modo que o Centrinho tenha condições de permanecer nos próximos 50 anos tão bem quanto nesses primeiros 50. Já fizemos resoluções muito significativas para o dia a dia do hospital, temos grandes desafios ainda pela frente, mas não temos receio de tomarmos as decisões que forem necessárias, mesmo aquelas que não são fáceis de tomar. Temos certeza que, com responsabilidade e cuidado com o que é público na gestão, nós continuaremos a oferecer para aqueles que nos buscam para a reabilitação – seja da fissura, das anomalias craniofaciais mais graves ou das deficiências auditivas – um tratamento de excelência, humanizado e de qualidade. Manter isso é o foco não só meu, mas do magnífico reitor da Universidade de São Paulo, professor doutor Marco Antonio Zago, e de todos aqueles servidores que, com muito amor, se dedicam todos os dias a construir essa história maravilhosa.

Eu mesma comecei minha vida profissional no hospital. Fui residente de Odontopediatria e depois contratada como odontopediatra. Tudo o que sei, que faço e o reconhecimento que tenho na minha especialidade – hoje, além de professora titular da disciplina de Odontopediatria da FOB-USP, recentemente fui eleita vice-presidente da Associação Brasileira de Odontopediatria – é muito por aquilo que aprendi com o professor doutor Ruy César Camargo Abdo ao longo de seis anos em que estive no Centrinho. E por isso meu sentimento é de gratidão pelo que este hospital me proporcionou e ainda me proporciona, só que agora como gestora.

Da Assessoria de Imprensa do Centrinho

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