Qual é a visão das Áfricas sobre o mundo?

A partir do dia 10 de outubro, pensadores, ativistas e artistas africanos discutem a produção intelectual do continente

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Imagem de satélite do continente africano – Foto: Nasa via Wikimedia Commons – Domínio Público

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 Só é feliz quem realmente sabe que a África não é um país

 

Emicida, rapper brasileiro, cantou um fato que muitos desconhecem. A África é um continente com 54 países e sete territórios independentes. E eles não são nem um pouco iguais. O encontro internacional Áfricas Contemporâneas do Continente às Diásporas traz para a cidade de São Paulo, entre os dias 10 e 19 de outubro, as produções intelectuais do próprio continente para a reflexão dos olhares que se têm para as Áfricas e como os seus olhos mais diversos podem contribuir para o mundo.

O evento é diferente por fugir do pensamento com o filtro da colonização para enxergar os países e também pela sua dinâmica. Serão feitas conferências, mesas-redondas, colóquios, oficinas, intervenções, performances, projeções audiovisuais, exposições e apresentações musicais. Isso tudo em diferentes locais da capital paulista. A USP recebe os trabalhos no Complexo Brasiliana, no Instituto de Estudos Brasileiros e no Auditório István Jancsó, no campus Cidade Universitária, no Butantã. A programação completa está disponível no site.

A abertura será dia 10 de outubro, às 9 horas, na Biblioteca Mário de Andrade, no Centro, com a conferência Afro-contemporaneidade: trabalho, projeto de sociedade e dinâmicas sociais vistos a partir das experiências e produções africanas. Os participantes serão Felwine Sarr, da Université Gaston Berger, de Senegal, Iolanda Évora, da Universidade de Lisboa, e Lia Dias Laranjeira, da Universidade Federal da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira.

“Será uma abertura para repensar as realidades do mundo. Um outro olhar de África. E outros olhares sobre o mundo”, conta Tatiana Neves, pesquisadora e integrante do Núcleo Interdisciplinar do Imaginário e da Memória (Nime) e do Laboratório de Estudos Imaginários (Labi) do Instituto de Psicologia (IP) da USP. Ela é uma das organizadoras da rede de institutos, departamentos e laboratórios de pesquisa que estão desenvolvendo o projeto.

 

Evento reunirá diversos pesquisadores do continente africano na cidade de São Paulo – Foto: Divulgação

 

“São outras diversidades. E com provocações dentro da provocação.” Assim a pesquisadora dá uma ilustração das diferentes visões que pensadores, ativistas e artistas da África do Sul, de Angola, de Cabo Verde, do Egito, de Mali e do Senegal passarão ao público que acompanhar. Também tem a participação de especialistas que atualmente moram e desenvolvem seus trabalhos nos Estados Unidos, na Inglaterra e Portugal.

Para Robson Colosio, do IP, são grupos de intelectuais que “nunca trabalharam juntos, mas que estabeleceram um chão comum para contribuir para uma nova visão de mundo”. As ações vão desde repensar a maneira de ajuda oferecida pelas Nações Unidas (ONU) para os países do continente, partindo da análise e autonomia deles. 

As discussões também envolvem como o Brasil é colocado para as nações, o que está acontecendo nos territórios, a produção artística feita em países europeus e questões de gêneros. “Como são as perspectivas das mulheres e da comunidade LGBTQI+ nesses países, como são feitas no cinema e na literatura?”, questiona Tatiana.

Celso Luiz, do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), destaca a diferença de pensamentos “com produções de conhecimentos que vão além da academia, fora a espacialidade do evento, que vai entrar em contato com a periferia.”

Uma dessas atividades será no dia 15 de outubro, a partir das 19 horas, com os rappers Hezbó MC e LBC Soldjah, de Cabo Verde e Portugal, sobre as cenas musicais afro-diaspóricas na Biblioteca Comunitária Solano Trindade, na Cidade Tiradentes (Rua dos Têxteis, 1.050, Cidade Tiradentes, São Paulo – SP). 

“Há um interesse nas outras formas de apresentar. E que também geram outras formas de pensar, formas de resistência. Abre espaço para o público. Essa diversidade produtiva é também a diversidade da forma”, diz Fernanda Padovesi, pesquisadora envolvida no encontro internacional e professora do departamento de Geografia da FFLCH da USP. A atividade Arquitetura e marcas afro-diaspóricas na cidade será feita através de um percurso em pontos de São Paulo com o jornalista e escritor Abílio Ferreira, no dia 13 de outubro, às 9 horas. O grupo parte da Igreja da Boa Morte (Rua do Carmo, 202, Centro, São Paulo – SP).

Instalações do Complexo Brasiliana como espaço de discussão

Complexo Brasiliana – Foto: Marcos Santos

O IEB e o Auditório István Jancsó vão sediar cinco atividades do encontro internacional. A primeira será no dia 14 de outubro, das 15 às 17 horas, quando o público visitará o acervo documental, bibliográfico e artístico do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) que se relaciona ao continente africano.

No dia 15 de outubro, entre as 9 e as 12 horas, o Auditório István Jancsó recebe Amy Niang, da University of the Witwatersrand, da África do Sul. A discussão será sobre a região de Sahel. No dia seguinte, será a vez de Bado Ndoye, da Université Cheik Anta Diop, do Senegal, falar das culturas africanas e mundialização. Depois, os ativismos negros na contemporaneidade na voz de Kehinde Andrews, da School of Social Sciences.

Fechando o ciclo no Complexo Brasiliana, no dia 18, Amy Niang, Iolanda Évora e Mamadou Ba se reúnem a Bado Ndoye para discutir o cenário de pensadores africanos contemporâneos para repensar o universal.

Mais informações: https://sites.usp.br/labi-ipusp/africas/

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