Centro de Transplante de Medula Óssea do HC será reformado

Obra será custeada por empresa privada; durante reforma, parte dos procedimentos será realizada no Instituto do Câncer

Por - Editorias: Universidade
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Instituto Central do Hospital das Clínicas da FMUSP, em São Paulo, onde está localizado o CTMO – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

O Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) possui uma unidade especializada em transplante de medula óssea. Essa cirurgia pode curar muitas doenças, como, por exemplo, leucemias, linfomas e alguns tipos de anemia, como a anemia aplástica. De 1988, quando foi criado, até 2014, foram mais de três mil transplantes. O espaço onde são realizados esses procedimentos é o Centro de Transplante de Medula Óssea (CTMO) que, agora, em 2017, passará por uma série de reformas que incluem as enfermarias e outros ambientes de acomodação dos pacientes.

As obras foram viabilizadas por uma doação do Grupo Crefisa, empresa de crédito e financiamento privado. O responsável por essa parceria é Vanderson Rocha, professor da FMUSP e diretor do Serviço de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular do HC, onde estão as instalações do CTMO.

Rocha assumiu a chefia do serviço em janeiro do ano passado. Formado em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ele é livre-docente na USP desde 2014, mas ficou 20 anos atuando em diferentes instituições no exterior, como o Eurocord, na França, a Universidade de Oxford, na Inglaterra, e a Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos.

O médico hematologista Vanderson Rocha fez parceria com a empresa Crefisa para reforma do Centro de Transplante de Medula Óssea – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Foi justamente essa experiência fora do Brasil e a crise financeira pela qual a USP está passando que o estimularam a buscar patrocínio de empresas privadas para investir no ensino e pesquisa desenvolvidos na Universidade.

“Os pacientes hematológicos são muito frágeis, pegam doenças facilmente e não raro morrem por conta de infecções hospitalares. A reforma vai ser importante para garantir que eles não sejam atingidos por essas infecções e para melhorar o conforto das acomodações”, ressaltou o diretor. Ele acredita que iniciativas como a da Crefisa devem ser incentivadas, ainda mais em momentos de crise como o atual no Brasil.

As reformas já foram iniciadas e devem durar ainda de 8 a 12 meses. O primeiro ambiente revitalizado foi a sala da Diretoria do Serviço, onde as obras foram concluídas. Agora em março, as atenções serão voltadas para o CTMO, localizado no oitavo andar do Instituto Central (ICHC), onde haverá a modernização das instalações físicas e novos equipamentos.

Serão mantidos os 24 leitos originais, sendo 18 para transplantes de medula óssea e seis para casos de hematologia em geral. Durante o período de obras, o professor Rocha firmou uma parceria para que parte dos atendimentos sejam transferidos para o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). O instituto comportará 15 leitos, sendo 11 para transplantes de medula óssea e quatro para casos de hematologia geral. As internações no Icesp devem começar no dia 15 de março.

Laboratório de- Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Laboratório de Imuno-hematologia clínica – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

O diretor do Serviço de Hematologia explica que somente um dos dois tipos disponíveis de transplante de medula óssea poderá ser realizado no Icesp. Os transplantes autólogos — nos quais o doador e o receptor são a mesma pessoa — serão mantidos, mas os transplantes alogênicos — nos quais o doador e o receptor são pessoas diferentes — não poderão ser realizados no período pela falta de estrutura do Icesp. Segundo Rocha, esses pacientes serão encaminhados para outras unidades onde poderão realizar os transplantes em segurança.

Além da reforma do Centro de Transplante de Medula Óssea, a parceria com a Crefisa prevê verbas para bolsas de pesquisa. O Serviço de Hematologia possui um Laboratório de Investigação Médica (LIM-31), na linha de pesquisa em genética de doenças hematológicas, oxisteróis, distúrbios da hemostasia, terapias celular e gênica.

Doação

Leila Pereira, presidente da Crefisa, conta que tomou conhecimento das deficiências do Serviço de Hematologia após seu marido ser acometido por um linfoma. “Os médicos que o atenderam nos mostraram como estava o HC e nos perguntaram se poderíamos ajudar na reforma do setor”, explica.

Ela aceitou prontamente a oferta e afirmou que “os pacientes precisam estar em um lugar que ajude em sua recuperação. É uma questão de dignidade”. Leila conta que a contribuição da Crefisa não para nas reformas estruturais: “Estamos comprando equipamentos e colaborando no setor de pesquisas, e tem algumas outras coisas que surgem e a gente apóia também”.

Além do CTMO, a empresa aprovou também a construção de uma praça no espaço didático do Prédio dos Ambulatórios (PAMB) localizado no Instituto Central do HC, que poderá ser acessada por todas as pessoas que frequentam o espaço. Sobre a parceria com o HC, a presidente da Crefisa aponta que “é uma obrigação social da nossa empresa ajudar e incentivar outras pessoas e companhias a ajudar também. Esse é nosso compromisso com a comunidade”. As obras têm entrega prevista para o fim deste ano, mas podem avançar pelo início do ano que vem.

A empresa preferiu não informar o valor doado para a reforma do espaço e o investimento de pesquisas.

O Serviço de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular do HC possui uma equipe multidisciplinar, com enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas e dentistas especializados na área de transplantes, além de uma estrutura física com uma enfermaria exclusiva para transplante de medula óssea e um Hospital Dia onde diariamente passam de 30 a 40 pacientes para consultas ambulatoriais pré ou pós-transplante, coleta de exames, recebimentos de tratamento suporte e cuidados de enfermagem.

Confira alguns números do serviço:

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