Na última coluna Bibliomania do ano, a professora Marisa Midori dá continuidade à pesquisa Retratos da Leitura, versão 2019, do Instituto Pró-Livro. Como aponta a pesquisa, de 2015 a 2019 a participação de leitores caiu 4 pontos porcentuais e a região Sudeste perdeu 10 pontos da participação dos leitores declarados, ou seja, de 61%, em 2015, a taxa desceu para 51%, em 2019. “Se considerarmos que estamos a tratar da região mais rica do Brasil, parece evidente que os recursos materiais não estão sendo devidamente convertidos para a cultura e a educação”, analisa a professora. Marisa ainda afirma que, pensando nos perfis dos leitores entrevistados, o Brasil certamente é um país religioso e que a Bíblia é de longe o livro mais citado. “Em um universo de 4.270 leitores declarados, a Bíblia foi citada por 35% dos entrevistados”, destaca.
Já os dados sobre a motivação da leitura dos jovens, segundo ela, podem dar alguns sinais importantes para os profissionais do mercado editorial. “É interessante observar que a faixa etária que apresentou de forma mais expressiva o ‘gosto’ pela leitura como sua maior motivação foi justamente aquela que vai dos 7 aos 17 anos. Portanto, o ‘gosto’ existe nos anos de formação escolar”, informa, acrescentando que esse dado reforça a importância das políticas públicas voltadas para a distribuição de livros nas escolas, ao lado dos programas de fomento das bibliotecas acompanhado por uma política continuada de aquisições.
A professora ainda revela que esses leitores são muito exigentes e que os livros infantis e juvenis são ancorados não só no cinema e nas séries, mas também na aventura e fantasia. “Cabe agora às universidades manter esse ritmo de uma leitura que ultrapasse as fronteiras das apostilas e dos textos obrigatórios. Para isso, elas também devem enriquecer suas bibliotecas com livros para todos os apetites”, conclui.
Bibliomania
A coluna Bibliomania, com a professora Marisa Midori, vai ao ar quinzenalmente, sexta-feira às 9h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9 ) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
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