Café, coronelismo e trabalho escravo marcam a história de Ribeirão Preto

“Ambiente É o Meio” entrevista o historiador e autor do livro “Ribeirão Preto Revisitada”, José Antônio Lage

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Foto: Gabriel Soares

O programa Ambiente É o Meio desta semana entrevista o historiador José Antônio Lage (foto), autor do livro Ribeirão Preto Revisitada, que traz a história da cidade a partir da pesquisa e visão crítica do autor.

A monocultura cafeeira, segundo Lage, foi muito marcante para Ribeirão Preto, mas também para o interior do Estado de São Paulo, chamado Oeste Paulista.  Ele conta que a região ainda passa pela monocultura, trocou o café pelo negócio do açúcar e do álcool no século 20.  “Essa lavoura de exportação proporciona um processo de acumulação de capital utilizando o trabalho dos imigrantes.” De acordo com Lage, as primeiras fazendas da região utilizaram a mão de obra escrava já no final do período de escravidão.

No livro, Lage lembra que o coronelismo também marcou a região, como Quinzinho da Cunha e Francisco Schmidt que rivalizaram na disputa pelo poder local. Considerado um dos reis do café, Schmidt era proprietário da antiga Fazenda Monte Alegre, onde hoje é o campus da USP em Ribeirão Preto, na época o local tinha a maior produção de café do mundo.

De acordo com o entrevistado, os coronéis eram donos de terras e de homens com origem no Brasil Império. Mesmo com o fim do período, as práticas sobrevivem “e se compõem com os novos mandatários do poder”, conta. Ele afirma que a Operação Sevandija, da Polícia Federal e do Ministério Público Estadual, investigação que descobriu o maior caso de corrupção da história da cidade de Ribeirão Preto, são heranças dessa época.

Livro Ribeirão Preto Revisitada

Esse e outros acontecimentos marcantes da história estão no livro Ribeirão Preto Revisitada. Segundo o autor, a obra teve início em 2004 quando sentiu a necessidade da pesquisa acadêmica para contar essa histórica para auxiliar as escolas, por exemplo.

Ele elaborou uma pequena apostila em comemoração ao aniversário da cidade. Depois, resolveu organizar novas pesquisas e foram divulgados mil exemplares em CD. Neste ano, lança o livro que conta a história da cidade de Ribeirão Preto sob sua perspectiva.

Por Giovanna Grepi

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