Pandemia aprofundou crise de moradia, diz colunista

Segundo a professora Raquel Rolnik, “em ano pandêmico foram 28 remoções coletivas – cerca de 3 mil famílias – além de oito ameaças de remoções, 7,5 mil famílias”

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Em ano atípico em função da pandemia do novo coronavírus, ameaças e remoções judiciais ou administrativas continuaram em 2020, expondo milhares de famílias ao risco de contágio. O aprofundamento da crise da moradia no contexto da pandemia impactou as dinâmicas urbanas e os conflitos fundiários: perda da renda levou a despejos por falta de pagamento de aluguel que, por sua vez, resultou em novas ocupações precárias que geraram processos de reintegração de posse, gerando novas ameaças e remoções em um ciclo que marca a transitoriedade permanente.

A absoluta falta de medidas governamentais necessárias para romper esse processo, como a moratória de aluguéis e de parcelas de financiamento habitacional, a suspensão de despejos, reintegrações de posse, desapropriações de áreas ocupadas e remoções administrativas, agravou esse cenário. Os governos alimentaram esse ciclo de duas formas: não prevendo medidas de suspensão das cobranças e dos processos que resultam em despejos e remoções e promovendo cobranças, despejos e remoções. O balanço das ameaças e remoções de 2020 foi feito pelo Observatório de Remoções do LabCidade (Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade), a partir dos dados das atualizações trimestrais do mapeamento colaborativo de ameaças e remoções da Região Metropolitana de São Paulo.


Cidade para Todos
A coluna Cidade para Todos, com a professora Raquel Rolnik, vai ao ar toda quinta-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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