Filme “Rede de ódio” mostra o perigo do tecnopopulismo, diz colunista

Para Giselle Beiguelman, o termo tornou-se uma estratégia comum, que se vale dos recursos on-line e das diretrizes de comunidade das maiores redes sociais e plataformas, como o Twitter, o Facebook, o Instagram e o YouTube

 

 

“Rede de ódio é um filme disponível na Netflix que mostra o trabalho de uma agência especializada em manipulação da opinião pública por meio de ações nas redes sociais”, indica Giselle Beiguelman em sua coluna Ouvir Imagens, na Rádio USP (clique e ouça o player acima). “O filme é polonês e tem como centro da narrativa a campanha de um candidato à Prefeitura de Varsóvia, que defendia pautas de respeito à diversidade de gênero e racial. Ele passa a ser atacado pelos extremistas de direita por ser gay e defender o que chamam de islamização do país. As ações nas redes sociais são de tamanha eficiência que o candidato é esfaqueado em um comício e não sobrevive.”

Segundo a professora, um dos aspectos mais interessantes do filme é como retrata os recursos utilizados para manipular informações como perfis falsos, participação de robôs e profissionais que incitam à violência. “Infelizmente, isso está se tornando uma estratégia comum de um tecnopopulismo que se vale dos recursos on-line e das diretrizes de comunidade das maiores redes sociais e plataformas, como o Twitter, o Facebook, o Instagram e o YouTube.”

Rede de ódio reflete a realidade que o Brasil viveu na última semana, com a mobilização de extremistas de direita contra o aborto realizado na menina de 10 anos, que engravidou após anos de violência sexual e abuso, violentada desde os 6 anos. “Essa história monstruosa teve ainda um capítulo mais dantesco: a invasão das redes sociais por pessoas que conclamavam o público a protestar no hospital em que estava internada, revelando sua identidade, o que fere o Estatuto da Criança e do Adolescente, e também a do médico”, comenta. “A postagem dessas mensagens nos mostra que já passou da hora de entendermos os territórios informacionais da internet como uma das dimensões da vida contemporânea real que impacta e se projeta em nosso cotidiano.”

Giselle Beiguelman ressalta que as redes sociais precisam ter instrumentos editoriais para interromper esses fluxos. E alerta: “Sob o risco de se converterem em cúmplices de redes de ódio que já nos assombram”.


Ouvir Imagens 
A coluna Ouvir Imagens, com a professora Gisele Beiguelman, vai ao ar toda segunda-feira às 8h00, na Rádio  USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e  TV USP.

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