Disfagia aparece entre as sequelas deixadas pela covid-19

Dificuldades na deglutição podem comprometer aporte nutricional de indivíduos; problema aparece em 30% dos infectados pela covid-19 tratados pelo HC-FMUSP

 30/07/2021 - Publicado há 2 meses
A disfagia é uma alteração na deglutição, ou seja, uma dificuldade para engolir alimentos ou saliva – Foto: Divulgação

O avanço do coronavírus no Brasil e no mundo exigiu uma mobilização imediata e inédita para que a área da saúde pudesse comportar o alto número de infectados pelo vírus. No Brasil, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP tornou-se um centro no tratamento de pacientes contaminados. Entre as etapas desse processo, encontra-se a fonoaudiologia, área que, ao ser envolvida, torna mais curto e eficiente o tratamento de indivíduos com a covid-19.

Entre os problemas causados pela covid-19 há a disfagia, nome dado à dificuldade de deglutição, que, no caso, é provocada pelo suporte respiratório de longa duração. A intubação e a ventilação podem ser exemplos. O trato da disfagia depende da atuação de um fonoaudiólogo. No HC, desde março de 2020, já foram realizados mais de 8 mil atendimentos fonoaudiológicos para a reabilitação de pacientes com covid-19.

Destes 8 mil, 29,8% apresentaram sequelas na capacidade de deglutição e alimentação, muitos até continuando a depender da via alternativa de alimentação. Já aqueles que se recuperaram prontamente foram submetidos a até duas sessões de fonoaudiologia para se reabilitarem. “O problema da intubação é que você sacrifica a estrutura muscular do pescoço usada para poder deglutir”, explica a professora Claudia Regina Furquim de Andrade, do Departamento de Fonoaudiologia da FMUSP, em entrevista ao programa Jornal da USP no Ar 1ª Edição.

Aqueles que não conseguiram pronta reabilitação necessitaram de acompanhamento realizado pelo atendimento ambulatorial ou muitas vezes a distância. “Ficava muito difícil o paciente voltar para o hospital para receber o atendimento. Tinha a restrição de receber pacientes ambulatoriais por causa da contaminação. Foram vários desafios”, aponta Claudia mencionando que foi implementado, desde agosto de 2020, um programa de teleatendimento para a reabilitação.

“Além de a pessoa perder peso há comprometimentos no aporte nutricional e o aumento do risco de desenvolver uma pneumonia”, relata Claudia sobre os impactos da disfagia, que exigem atenção do fonoaudiólogo envolvido no acompanhamento do paciente. “Foi um grande desafio para a fonoaudiologia essa experiência da covid, porque não tínhamos experiência no atendimento de pacientes em catástrofes e epidemias. Tivemos que desenvolver novas estratégias de atendimento, mais rápidas. O paciente tinha que sair do hospital e nós tínhamos que reabilitar rapidamente a deglutição”, completa.


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