Pílula Farmacêutica #104: Insulina sintética é produzida por técnicas genômicas

A insulina natural é produzida pelo pâncreas seguindo informações do código genético, como uma “receita de bolo”; a deficiência do hormônio é a causa do diabete

Jornal da USP no ar: Medicina
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Pílula Farmacêutica #104: Insulina sintética é produzida por técnicas genômicas
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De acordo com a Federação Internacional de Diabetes, 16,8 milhões de pessoas sofrem com diabete no Brasil. Estima-se que, até 2040, uma a cada dez pessoas desenvolvam a doença. Sendo uma doença metabólica, o diabete está associado à hiperglicemia, causada pela ausência ou deficiência do organismo em utilizar a insulina, hormônio produzido pelo pâncreas que é responsável pelo transporte de açúcar da corrente sanguínea para o interior das células.

Nesta edição do Pílula Farmacêutica, a acadêmica Giovanna Bingre, orientada pela professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP Regina Andrade, fala sobre a produção e formas de aplicação da insulina, medicamento utilizado em injeções para o controle do diabete tipo 1 e casos graves do tipo 2. Para a maioria dos casos do tipo 2, a acadêmica diz que o controle da glicemia é feito através de remédios por via oral, como a metformina.

Como a insulina é produzida?

Giovanna conta que a insulina é um hormônio naturalmente produzido pelo corpo e, como outras proteínas, é fabricado seguindo informações do código genético do organismo, como uma receita de bolo. “O maquinário celular lê essa receita e produz a insulina”, informa. 

Com esse conhecimento, continua Giovanna, a biotecnologia permitiu que essa parte do genoma fosse copiada e inserida em outros seres vivos para a produção da molécula de insulina. Conta que, para a sintetização da insulina, é utilizada a bactéria Escherichia coli modificada geneticamente. Do processo, chega-se à insulina de DNA recombinante que é separada, purificada e preparada para a distribuição. 

Como é feita a aplicação da insulina?

A forma mais comum é a seringa simples, injetando a insulina sintética “no chamado tecido adiposo que fica debaixo da pele, aquela camada de gordura do corpo”, ensina a acadêmica. Apesar de simples e barata, a aplicação com seringa pode causar dor e insegurança na autoaplicação. A solução, segundo Giovanna, é a caneta de insulina, uma maneira mais prática porém mais cara de administrar, mas que conta com apoio do SUS para pacientes com mais de 50 anos ou com menos de 19.

Além da caneta, a acadêmica Giovanna lembra de outra opção ainda mais fácil de aplicação que é a bomba de insulina, um dispositivo que é aderido à pele de forma fixa, liberando continuamente uma mistura de insulina e GLP1, hormônio semelhante ao glucagon 1, que estimula a secreção da insulina. “Não há necessidade de ficar preparando e injetando manualmente a solução, que em alguns casos é necessária mais de uma vez por dia.”

Segundo Giovanna, em 2018 essa bomba foi enviada à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), mas o comitê recomendou que não fosse incorporado ao Sistema Único de Saúde, porque “a avaliação econômica era limitada e as evidências que comprovam seus benefícios não eram suficientes”.


Pílula Farmacêutica
 
Apresentação: Kimberly Fuzel e Giovanna Bingre
Produção: Professora Regina Célia Garcia de Andrade e Rita Stella
Coprodução e Edição: Rádio USP Ribeirão 
E-mail: ouvinte@usp.br
Coordenação: Rosemeire Talamone
Horário: segunda e quarta, às 10h40
Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 107,9; ou Ribeirão Preto FM 107.9, ou pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS .
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