Momento Cidade #17: E se o transporte público fosse de graça?

Antes de implementar “passe livre”, a cidade de São Paulo precisa melhorar a oferta de transporte público e direcionar políticas públicas para otimizar mobilidade, defendem especialistas

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Momento Cidade #17: E se o transporte público fosse de graça?
Momento Cidade - USP

 
 
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Diariamente, 8,3 milhões de passageiros são transportados nas 13 linhas disponíveis no metrô e trem em São Paulo, e 8,8 milhões de pessoas andam frequentemente nos ônibus da capital. A cidade conta com a maior rede ferroviária e metroviária do País, além de uma frota com cerca de 15 mil ônibus.

Entretanto, para muitos cidadãos, utilizar frequentemente o transporte público tem um custo alto. Uma análise feita pelo jornal O Estado de São Paulo em janeiro de 2019, mostrou que quem usa metrô e ônibus para ir e voltar do trabalho, gasta até um terço, ou seja, 33%, de um salário mínimo.

Por isso, o Momento Cidade desta semana buscou responder a pergunta: e se o transporte público fosse de graça?

Para Carolina Requena, pesquisadora do Centro de Estudos da Metrópole (CEM) da USP, a primeira consequência do chamado “passe livre” seria o aumento da demanda. Os responsáveis, portanto, precisariam urgentemente melhorar a oferta de transporte, o que, para a especialista, resultaria em consequências positivas. “Seria feita uma justiça do ponto de vista do tempo que as pessoas usam porque elas poderiam escolher o seu trajeto e escolheriam seus trajetos ótimos, ou seja, parariam de viajar as vezes por duas horas, algo que elas poderiam fazer em uma, ou seja, metade do tempo”, pontua ela.

De acordo com Joana Barros, professora no Departamento de Geografia do Birkbeck College, da Universidade de Londres, a gratuidade reduziria a segregação causada pelo transporte. “A parcela da população mais pobre que não consegue pegar um metrô, por exemplo, que é muito caro, de repente tem condições pra isso e isso é uma vantagem”, teoriza ela. 

Entretanto, ela também questiona se a medida não traria mais transtornos para o trânsito já conturbado da capital. “A que ponto, se o metrô estiver trabalhando além de sua capacidade, também não perderemos a qualidade do transporte? E a que ponto, as pessoas que atualmente pegam transporte vão pegar seus carros e isso vai aumentar o congestionamento?”, questiona. 

Para ambas as pesquisadoras, o ideal para uma cidade com as dimensões de São Paulo é começar pequenos experimentos de mobilidade. Para Carolina, o melhor é direcionar políticas públicas que “tentassem, em alguma escala, de alguma forma experimental, observar na prática qual é o custo real desse transporte”. 

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Ficha técnica

Reportagem: Denis Pacheco
Edição: Beatriz Juska e Guilherme Fiorentini

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