Hino da USP ganha publicação-partitura

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(da esquerda para direita) O presidente do IPH, embaixador Emanuel von Lauenstein Massarani; a reitora Suely Vilela; o maestro Julio Medaglia e o poeta Paulo Bomfim, na cerimônia de lançamento da publicação-partitura do Hino da USP (Crédito da foto: Ernani Coimbra)

O evento de apresentação da publicação foi no Salão de Atos da Reitoria, com a presença da reitora Suely Vilela, do presidente do IPH, embaixador Emanuel von Lauenstein Massarani, dos autores do hino, além de dirigentes, professores e funcionários da Universidade

“Durante um ano, a USP comemorou os 75 anos de sua criação. Eventos científicos e culturais em todos os campi e junto à sociedade exaltaram sua trajetória marcada pelo pioneirismo, pelo enfrentamento de desafios e por grandes conquistas. O hino foi um dos maiores presentes com que a Universidade foi homenageada em seu aniversário”, disse a reitora em seu discurso.

Um dos principais legados das comemorações dos 75 anos da USP foi a criação de seu hino, composto pelo maestro Julio Medaglia, com letra-poema de Paulo Bomfim, reconhecido como o “Príncipe dos Poetas”. Na segunda-feira, 9 de novembro, o registro permanente do Hino da USP ficou consignado com o lançamento da publicação-partitura editada pelo Instituto de Recuperação do Patrimônio Histórico no Estado de São Paulo (IPH). A primeira audição do hino ocorreu na data de aniversário da USP, em 25 de janeiro deste ano, no Teatro Alfa, em São Paulo.

A publicação-partitura com o Hino é uma edição bem cuidada, que mostra várias fotos da avant-première no Teatro Alfa, textos de Emanuel von Lauenstein Massarani e Suely Vilela, e, sobretudo, a partitura, apresentada em diferentes modalidades, para coro e orquestra, canto e piano, cordas, metais e tímpanos e, finalmente, vozes. “Apresentadas assim, todas as partes necessárias à execução do hino ficam disponíveis, facilitando sua interpretação de diferentes maneiras”, assegura Julio Medaglia.

A ideia da publicação  

A proposta de edição de um livro-partitura com o Hino da USP partiu do presidente do IPH, embaixador Emanuel von Lauenstein Massarani. Ao saber que o Hino havia sido composto por Bomfim e Medaglia, Massarani conversou com a reitora Suely Vilela e propôs o registro impresso das partituras.

O embaixador avalia que os brasileiros compõem, “lamentavelmente”, um povo sem memória. “Eu sou pela recuperação, pela revitalização e pela restauração, desde o prédio público até o prédio moral, que é o caso de uma publicação como essa, com o Hino da USP. Entre as principais missões do IPH estão a de recuperar a história de São Paulo, de manter a história viva de nosso Estado e de nossa cidade”, define Massarani.

O presidente do IPH contou que os mil exemplares impressos do volume foram doados à Universidade e devem ser distribuídos a faculdades e outras instituições que lidam com a música em todo o Estado de São Paulo.

Maestro das palavras  

Na solenidade de lançamento da publicação-partitura, houve a entrega de diplomas de reconhecimento, chancelados pelo IPH. Ao receber o seu, Paulo Bomfim decretou, com o seu pronunciamento, que a presença do sublime seria obrigatória na solenidade no Salão de Atos.

“Antes de sermos reais, somos sonhados”, declarou o poeta, autor de vasta obra, como Sonetos da Vida e da Morte e Tempo Reverso. “E esse Hino foi sonhado em torno de uma mesa, na rua Peixoto Gomide,

em minha casa. E eu só posso dizer nesse momento de tamanha emoção que o Hino da USP vem sendo escrito há 75 anos, porque a própria história da USP, a gloriosa história da Universidade de São Paulo, já é por si mesma um hino, e eu apenas transcrevi parte desse hino”, disse Bomfim.

“Tremi na base”  

O maestro, de fato, Julio Medaglia, visivelmente emocionado, disse que nessa solenidade se repetia, nele, o mesmo impacto e a mesma emoção da estreia do Hino no dia 25 de janeiro deste ano. “A USP não é somente uma universidade, é uma instituição que está

em nossos corações. Para quem nasceu nesta cidade, tem um peso enorme, por sua importância e por tudo que representa para a cultura do país”, declarou o maestro.

Medaglia contou que ao receber a incumbência de criar o Hino da USP, tremeu na base. “Tremi mesmo. Circulei por minha casa tentando imaginar o que deveria fazer neste trabalho”. Para sorte dele, a poesia chegou antes da música, vinda das mãos criativas do “nosso querido Paulo Bomfim”.

O maestro entendeu de pronto que a música do Hino constava nas palavras da letra-poema de Bomfim. “A música já estava ali, com naturalidade e beleza fora do comum, com um conteúdo verdadeiro, não sendo apenas um exercício de beleza poética. Dessa forma, ficou até fácil musicalizar a letra”, assegurou.

Outra pequena história contada por Julio Medaglia no evento relata que, no dia 25 de janeiro, no Teatro Alfa, uma voz foi ao encontro dos seus ouvidos, logo após a apresentação inaugural do Hino da USP, ainda no palco. “Estava preocupado em saber se o Hino representaria tudo que tenho na cabeça do que seria a Universidade de São Paulo”, soprou a voz, que, em seguida, o maestro verificou tratar-se da do governador de São Paulo, José Serra.

Serra disse ao maestro que se identificou com o Hino e que, na condição de “calabrês”, não era do tipo de quem joga elogio fora. “Isso para mim também era muito importante, ou seja, saber se o Hino reproduzia o que as pessoas tinham em mente sobre a USP, porque as pessoas têm uma imagem da Universidade, quem estudou ou estuda aqui, mais ainda. Fiquei feliz de o primeiro elogio partir do governador”, orgulha-se Medaglia.

Outros hinos 

Julio Medaglia habituou-se a reger hinos de outros países em diferentes períodos morando fora do Brasil. Eram hinos com características as mais diversas, compostos, também, pelas mais diferentes razões.

“Existem hinos que são muito complicados”, afirma o maestro. É o caso do Hino Nacional Brasileiro, que, segundo Medaglia, é um dos mais bonitos do mundo. “O Hino Nacional Brasileiro é belíssimo, mas, evidentemente, é um hino difícil porque tem muitas soluções melódicas e harmônicas”, diz.

Em sua composição junto com Paulo Bomfim, houve a opção por uma versão um pouco mais linear, mais simples, por entender que um hino tem de ser facilmente cantado, com as pessoas pegando rapidamente a melodia e reproduzindo-a com facilidade.

Letra e música  

A cerimônia de lançamento do livro-partitura foi encerrada, previsivelmente, com a apresentação do Hino da USP, interpretado, ao piano, pelo professor titular da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, campus de Ribeirão Preto, Rubens Russomano Ricciardi, acompanhado do tenor Jean William de Souza, promissora revelação do campo da música, ele também vinculado à ECA-USP de Ribeirão Preto.

Na introdução que assina na obra, Suely Vilela define: “Um hino é uma das maiores expressões de louvor, um legado para as futuras gerações, uma chama que nunca se apaga, porque é gravado nas mentes e nos corações”. Já o embaixador Emanuel von Lauenstein Massarani, na apresentação que assina, afirma que pôde descobrir com sua experiência diplomática em diversos países que a USP não é “apenas” uma organização nacional, mas sim “uma academia internacional”.

Clique aqui e ouça o Hino da USP, tocado pela Orquestra Sinfônica da Universidade e interpretado pelo Coralusp.

(Matéria publicada na edição nº 878 do Jornal da USP)

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