Projeto defende artistas e escritores perseguidos

No dia 18 de novembro, às 10 horas, no Instituto de Estudos Avançados da USP, a professora Sylvie Debs, da Universidade de Estrasburgo, na França, vai apresentar o projeto Casas Brasileiras de Refúgio, que defende a liberdade de expressão no mundo

Por - Editorias: Cultura
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A PEN International é um fórum onde os escritores se reúnem livremente para discutir seu trabalho - Foto: Divulgação/Pen Internacional
A organização PEN International, fórum em que escritores se reúnem para discutir seu trabalho, está nas origens do projeto Cabra – Foto: Divulgação/Pen Internacional

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Cerca de 800 escritores, jornalistas e artistas de vários países são perseguidos atualmente por manifestarem o seu pensamento e sua crítica em ensaios, poemas, romances, artigos, charges e vídeos divulgados em livros, jornais, revistas, blogs e a mídia em geral. Esse levantamento foi realizado, em 2014, pelo PEN International, organização iniciada em Londres há 95 anos para promover a literatura e defender a liberdade de expressão em todo o mundo. Hoje, conta com sedes em toda a Europa e diversos países, como Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Egito, Iraque, Japão, México, Nova Zelândia, Palestina, Uruguai e Estados Unidos, entre outros. Segundo o PEN, esse número de escritores e artistas ameaçados de morte e tortura vem aumentando.

Diante desse cenário, a brasilianista Sylvie Debs, professora da Universidade de Estrasburgo, na França, criou, no Brasil, o projeto Cabra – Casas Brasileiras de Refúgio, com o objetivo de convidar cidades brasileiras a se tornarem cidades-refúgio, apoiar a criação de casas de refúgio no Brasil, promover a liberdade de expressão, defender os direitos humanos e participar de movimentos que contribuam para a solidariedade internacional.

No dia 18 de novembro, às 10 horas, Sylvie Debs estará no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP explicando a importância da iniciativa e dando um breve histórico também sobre as atividades, no Brasil e no mundo, da Icorn – Rede Internacional de Cidades de Refúgio Brasil e no mundo.

“O projeto Cabra começou a ser idealizado quando uma comissão de trabalho do PEN Internacional de Londres veio divulgar o conceito da Icorn no Brasil, um país de longa tradição de imigração e de integração cultural. A Icorn, fundada na cidade de Stavanger, na Noruega, é uma organização de sócios independentes que oferece lares seguros em 50 cidades de vários países para os escritores continuarem se expressando de maneira livre”, explica Sylvie. “Eles estão em segurança, mas não em silêncio. Importante lembrar que essa não é uma organização de refugiados, mas de escritores perseguidos que recebem hospedados em cidades refúgios.” A professora ressalta que a rede não tem autoridade sobre as leis e regras do país. “A defesa da liberdade de expressão, o respeito aos direitos humanos, o exercício da democracia, a tradição de hospitalidade são os valores essenciais que permitem ao Brasil abraçar essa causa.”

Rede de solidariedade

Sylvie Debs, Fundadora da CABRA - Foto: Divulgação/CABRA
Sylvie Debs, fundadora do projeto Cabra – Casas Brasileiras de Refúgio – Foto: Divulgação/Cabra

O projeto Cabra visa a integrar o País nessa rede global de solidariedade.
Cada cidade-refúgio se compromete em acolher escritores perseguidos, sabendo que cada escritor representa os inúmeros outros na clandestinidade, na prisão ou silenciados para sempre. “Ao oferecer a um escritor convidado um lugar seguro para morar e uma estabilidade econômica durante dois anos, as cidades da rede Icorn fazem uma importante contribuição prática para a promoção da liberdade de expressão”, segundo Sylvie.
A rede já hospedou cerca de 130 escritores. “Uma das primeiras escritoras a ser hospedada pela organização Icorn na cidade de Gotemburgo, na Suécia, entre  2006 e 2008, foi a jornalista investigativa e escritora bielorrussa Svletana Alexievitch. Ela ganhou o Premio Nobel de Literatura em 2015”, observa Sylvie.

O Brasil é o primeiro país da América do Sul a ter uma cidade-refúgio, em Ouro Preto (MG). O poeta iraniano Mohsem Emadi já ficou hospedado duas vezes na cidade mineira. Ele é diretor de uma antologia digital de poesia latino-americana que foi traduzida para o idioma falado no Irã, o farsi. “Os escritores, em troca do abrigo e do apoio financeiro, contribuem participando e se integrando na vida cultural e intelectual das cidades.”
A coordenação do encontro com Sylvie Debs é de Sylvia Dantas e Paulo Farah. Após a palestra, o tema será debatido com a participação de Adriana Capuano de Oliveira, Maura Veras, Paulo Farah e Sylvia Dantas.

A palestra de Sylvie Debs será realizada no dia 18 de novembro, das 10 às 12 horas, na Sala de Eventos do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP (Rua da Praça do Relógio, 109, Bloco K, 5° andar, Cidade Universitária, São Paulo). Entrada grátis, sem necessidade de inscrição. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 3091-3922.

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