Descoberta estratégia para tornar tratamento do glioblastoma multiforme mais eficaz

O estudo do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP foi feito usando nanotecnologia e cultura de células

Um dos tumores cerebrais mais agressivos e letais, o glioblastoma multiforme é um tumor raro e esporádico, mas é o mais comum entre os cânceres cerebrais. Em geral, o tratamento envolve cirurgia, seguida de radioterapia e quimioterapia. Por ser muito agressivo, o tratamento é complexo, e na maioria das vezes há recidiva, ou seja, ele volta a aparecer, o que torna difícil as chances de cura.

Pesquisadores do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP desenvolveram uma estratégia para tornar o tratamento do glioblastoma multiforme mais eficaz. Esse tratamento associa uma molécula fotoativa e um agente quimioterápico, ou seja, uma molécula que reage ao estímulo da luz a um medicamento para o câncer, ambos encapsulados em nanopartículas. 

Resultado já obtido, com o desenvolvimento de uma partícula contendo um marcador fluorescente para o delineamento do tumor – Foto: NIH Image Gallery/Flickr-CC

O estudo foi feito usando nanotecnologia e cultura de células, com diferentes estágios do glioblastoma mais agressivo e também em linhagens de glioblastoma menos agressivo. O grupo agora dará início aos testes em animais; portanto, ainda levará um tempo para chegar aos pacientes. 

O professor Antônio Cláudio Tedesco, do Centro de Nanotecnologia e Engenharia Tecidual e Fotoprocessos da FFCLRP, disse que os resultados já obtidos foram o desenvolvimento de uma partícula contendo um marcador fluorescente para o delineamento do tumor e diagnóstico, e um ativo, para impedir o crescimento ou bloquear a progressão do tumor.

Ainda segundo Tedesco, essa nova terapia poderá ser usada antes, durante e depois da cirurgia de remoção do tumor, obrigatória nesses casos de câncer agressivo. O uso de nanopartículas, diz o professor, permite liberar os medicamentos diretamente na região afetada, de maneira gradual e sustentada, durante alguns meses.

Na cirurgia, quanto menos tecido cerebral for removido mais seguro será o procedimento, pois cai o risco de comprometimento das funções vitais do paciente. Para essa nova estratégia, além da partícula que permite avançar a barreira hematoencefálica, já patenteada pelo grupo, foi desenvolvida uma nova partícula que tem um sinalizador fluorescente e uma vitamina D com maior direcionamento quimioterápico e dos ativos para o sistema tumoral.

O grupo liderado pelo professor trabalha em estudo financiado pelo Ministério da Saúde com outros dois sistemas para o tratamento do glioblastoma. 

Ouça no player acima a entrevista na íntegra. 

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